
- Atualizado há 11 segundos
O Ministério Público do Paraná denunciou quatro pessoas suspeitas de participação em um suposto esquema de “rachadinha” ligado ao gabinete do deputado estadual Ricardo Arruda. Segundo a investigação conduzida pelo Gaeco, servidores comissionados teriam sido obrigados a repassar parte dos salários entre os anos de 2018 e 2023.
Entre os denunciados estão três homens e uma mulher, apontada como esposa do parlamentar. O valor movimentado no esquema investigado chega a aproximadamente R$ 132,8 mil.
Para receber as principais informações do dia pelo WhatsApp entre no grupo do Portal Nosso Dia clicando aqui
De acordo com a denúncia, o deputado já havia sido denunciado anteriormente, em 2024, em uma ação separada. Nesta nova etapa, o Ministério Público atribui aos acusados participação na arrecadação dos valores e em mecanismos utilizados para esconder a origem do dinheiro.
As investigações apontam que os repasses teriam ocorrido de diferentes formas. Em alguns casos, valores transferidos por servidores foram usados para a compra de moeda estrangeira, que posteriormente era entregue em espécie ao parlamentar. Em outras situações, o dinheiro teria sido utilizado para pagar despesas pessoais da esposa do deputado por meio de cartões de crédito.
O Gaeco também identificou transferências bancárias, saques em dinheiro, depósitos em contas de terceiros e pagamentos destinados a uma empresa da família do parlamentar. Segundo os promotores, essas operações tinham como objetivo dificultar o rastreamento dos recursos.
Os fatos mais recentes investigados ocorreram em 2023. Conforme a denúncia, dois dos acusados teriam atuado diretamente na cobrança dos repasses dos servidores e na ocultação dos valores, com conhecimento do deputado.
A denúncia foi recebida pela 2ª Vara Criminal de Curitiba. A Justiça também determinou o afastamento de um dos denunciados de um cargo em comissão que ainda ocupava na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), medida adotada para evitar possível interferência no andamento do processo.
Os denunciados responderão pelos crimes de concussão — quando um agente público exige vantagem indevida em razão da função — e lavagem de dinheiro. As acusações variam conforme a participação atribuída a cada investigado. Segundo o Ministério Público, um dos denunciados responde por um crime de lavagem de dinheiro, outro por dez crimes de lavagem e dois de concussão, um terceiro por dois crimes de lavagem e a quarta acusada por oito crimes de lavagem de dinheiro e um crime de concussão.
O promotor de Justiça Felipe Lamarão de Paula Soares afirmou que as investigações apontaram uma estrutura criada para receber os valores exigidos dos servidores e ocultar a origem dos recursos. O caso agora segue para análise da Justiça.
Outro lado
Em nota, o deputado estadual Ricardo Arruda afirmou que as acusações são falsas e disse confiar na atuação do Poder Judiciário.
“O deputado Ricardo Arruda declara que as acusações são inverídicas e que tem confiança plena no trabalho da Justiça Paranaense, que reconhecerá a verdade e absolverá todos os envolvidos nas injustas acusações do GAECO”, diz a nota encaminhada pela defesa do parlamentar.