
- Atualizado há 22 horas
Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) pretende impedir que os novos tributos criados pela Reforma Tributária sejam incluídos na base de cálculo do ICMS. A proposta é de autoria do deputado estadual Fabio Oliveira e busca evitar o que ele considera uma possível cobrança indevida de imposto sobre imposto.
Segundo o parlamentar, o texto foi elaborado após demandas apresentadas por entidades do setor produtivo, preocupadas com os impactos da nova legislação sobre empresas e consumidores.
De acordo com Fabio Oliveira, a principal preocupação está relacionada à forma como poderão ser cobrados os novos tributos federais e compartilhados, como a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
“Hoje existe uma provável inconstitucionalidade que pode surgir com a chegada da Reforma Tributária. O que estamos vendo é a possibilidade de haver incidência do ICMS sobre esses novos tributos, ou seja, um imposto sendo cobrado sobre outro imposto”, afirmou.
O projeto altera a legislação estadual do ICMS para deixar expresso que a CBS, o IBS e o Imposto Seletivo não poderão compor a base de cálculo do imposto estadual.
Para o deputado, a medida busca evitar um efeito cascata na tributação. “Se houver cobrança de ICMS sobre o IBS e sobre a CBS, algumas empresas serão mais prejudicadas, especialmente as enquadradas no Lucro Presumido, que podem ter aumento de até 13% na carga tributária. E, no final do dia, quem acaba pagando essa conta é o consumidor”, disse.
Apoio do setor produtivo
Fabio Oliveira afirma que a proposta recebeu apoio de entidades representativas do setor produtivo paranaense. Segundo ele, organizações como a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) manifestaram posição favorável ao projeto.
“Fui provocado pelo setor produtivo e já temos o apoio dessas entidades. Outros integrantes do G7 também estão discutindo apoio à proposta”, declarou.
Sem impacto na arrecadação
O parlamentar sustenta que a medida não cria benefícios fiscais nem reduz a arrecadação estadual.
“O governo não terá perda de arrecadação. Nós não estamos criando isenção nem novos tributos. O que estamos fazendo é corrigir uma possível distorção jurídica para evitar disputas judiciais futuras e garantir segurança para quem produz e investe no Paraná”, afirmou.
Segundo o deputado, caso a cobrança seja mantida da forma como está sendo discutida atualmente, o Estado poderá enfrentar questionamentos na Justiça e arcar com custos decorrentes dessas ações.
Tramitação
Protocolado na semana passada, o projeto ainda inicia sua tramitação na Assembleia Legislativa. A expectativa do autor é que a proposta avance rapidamente pelas comissões da Casa.
“Agora vamos conversar com a Mesa Diretora para dar celeridade ao projeto. A Reforma Tributária já está em andamento e quanto mais rápido essa proposta virar lei, menos problemas jurídicos teremos no futuro”, afirmou.
Fabio Oliveira destacou ainda que o projeto não altera a Reforma Tributária aprovada em âmbito nacional, mas apenas regulamenta a forma de cobrança do ICMS no Paraná.
“Nós não temos competência para interferir na Reforma Tributária. O que podemos fazer é legislar sobre o ICMS. A proposta apenas reorganiza juridicamente a cobrança do imposto estadual para evitar essa possível bitributação”, concluiu.
Até o momento, segundo o deputado, não houve manifestação contrária do Poder Executivo estadual em relação ao projeto.