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A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) marcou para a próxima terça-feira a votação do projeto de resolução que pode resultar na perda do mandato do deputado estadual Renato Freitas. Caso a maioria absoluta dos parlamentares acompanhe a recomendação do Conselho de Ética, o petista será cassado.
Ao comentar o avanço do processo, Renato Freitas ironizou a situação e afirmou que está novamente “fazendo história” dentro do Legislativo paranaense, já que também foi cassado na Câmara de Curitiba.
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“Novamente, como foi na Câmara dos Vereadores, eu acabo fazendo história porque movimento a Casa de Leis no sentido de me censurar. Eu denuncio as regras do jogo e não vim para obedecer a essas regras. Eu vim pelo povo para criar novas regras”, declarou.
A fala foi feita nesta segunda-feira, após a leitura em plenário do projeto de resolução encaminhado pelo Conselho de Ética, etapa que abriu caminho para a votação definitiva pelos deputados estaduais.
Renato também citou a manifestação realizada no último sábado em Curitiba, organizada por apoiadores contrários à cassação.
“Foi um grito popular de milhares de pessoas que lotaram as ruas do Centro de Curitiba afirmando a democracia e o direito que nós, negros, temos de votar, mas também de ser votados”, afirmou.
O parlamentar voltou a criticar a condução do processo e disse que a Assembleia estaria adotando um tratamento inédito em sua história. “Em 171 anos de Assembleia ninguém nunca foi cassado, mesmo diante de crimes gravíssimos, desvios de dinheiro público e escândalos como os Diários Secretos. Nada disso gerou cassação”, declarou.
Críticas ao Judiciário
Questionado sobre a estratégia jurídica para tentar impedir a cassação, Renato afirmou que seus recursos devem ser direcionados ao Judiciário, mas demonstrou pessimismo em relação às instâncias estaduais.
Ao citar um episódio anterior envolvendo sua atuação em defesa dos professores estaduais, o deputado afirmou que houve interferência indevida em decisões judiciais.
“O que eu quero dizer é que, infelizmente, o Tribunal de Justiça do Paraná atua em conluio com a Assembleia Legislativa do Paraná e não de acordo com o modelo republicano de freios e contrapesos”, afirmou.
Perguntado se acredita em uma decisão favorável no Paraná, respondeu:
“Infelizmente essa é a realidade que se nos apresenta.”
Apesar das críticas, disse acreditar que uma eventual reversão poderá ocorrer nos tribunais superiores.
“A salvação está no STJ e no STF, como já ocorreu quando eu era vereador”, declarou.
“Posso perder o mandato, mas não a alma”
Ao falar sobre a expectativa para a votação da próxima semana, Renato afirmou acreditar que a maioria dos deputados acompanhará o parecer do Conselho de Ética.
“Provavelmente na próxima semana haverá votação. Só a bancada de oposição votará contrária à cassação do meu mandato”, disse.
O deputado também descartou qualquer articulação política que, segundo ele, comprometa seus princípios.
“Eu perco meu mandato, mas não perco a minha alma. Se eu tiver que pedir a bênção para os corruptos para continuar no mandato, eu prefiro voltar para a minha quebrada, para a minha vila, para a periferia, de cabeça erguida e sem o cargo”, afirmou.
Segundo Renato Freitas, assumir o risco de perder o mandato faz parte da escolha de enfrentar estruturas de poder. “Eu sempre soube que uma das consequências possíveis de enfrentar os poderes instituídos era eventualmente a perseguição e a perda do mandato. Mas se eu deixasse de assumir esse risco pelo meu mandato, então eu não estaria mais representando o povo, estaria representando os meus interesses pessoais”, concluiu.
O processo teve origem em um episódio ocorrido em novembro de 2025, em Curitiba. O Conselho de Ética concluiu que houve quebra de decoro parlamentar e recomendou a perda do mandato. O entendimento foi mantido pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cabendo agora ao plenário da Alep a decisão final sobre o futuro político de Renato Freitas.