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Paraná se prepara para o El Niño com simulados, obras e recursos para os municípios

Com previsão de aumento do volume de chuvas no Estado, especialmente na primavera e no Oeste e Sudoeste, diferentes órgãos estaduais intensificaram ações de prevenção, planejamento e investimentos em infraestrutura
(Foto: Divulgação)
Com previsão de aumento do volume de chuvas no Estado, especialmente na primavera e no Oeste e Sudoeste, diferentes órgãos estaduais intensificaram ações de prevenção, planejamento e investimentos em infraestrutura

Redação Nosso Dia

10/07/26
às
14:08

- Atualizado há 17 segundos

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A confirmação do retorno do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026 reforçou uma mobilização que o Governo do Paraná já vinha conduzindo desde 2019 para reduzir os impactos das mudanças climáticas e dos eventos climáticos extremos.

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Com previsão de aumento do volume de chuvas no Estado, especialmente na primavera e no Oeste e Sudoeste, diferentes órgãos estaduais intensificaram ações de prevenção, planejamento e investimentos em infraestrutura.

A estratégia reúne mais de R$ 840 milhões em obras e projetos coordenados pelo Instituto Água e Terra (IAT), voltados à contenção de cheias, drenagem urbana, controle de erosão, recuperação ambiental e segurança hídrica.

Além disso, nos últimos sete meses, o Estado destinou R$ 17,9 milhões do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) para obras preventivas em Londrina, Guaratuba, Espigão Alto do Iguaçu e Perobal, com foco na construção de pontes e sistemas de drenagem para reduzir os impactos provocados por enxurradas e inundações.

Na frente operacional, a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil (Cedec) também intensificou as ações preventivas ainda no início do ano. Mesmo antes da confirmação oficial do fenômeno, os 399 municípios receberam orientações para atualizar os Planos de Contingência e reforçar medidas voltadas à prevenção de ocorrências como inundações, alagamentos, enxurradas, tempestades e deslizamentos.

Além das orientações técnicas, a Cedec promoveu reuniões com associações de prefeitos, gestores de barragens e diferentes secretarias estaduais para alinhar estratégias de atuação e fortalecer a integração entre os órgãos responsáveis pela prevenção e resposta a desastres.

Outra medida adotada neste ano foi a regulamentação, pelo IAT, da dispensa de licenciamento ambiental para obras emergenciais de prevenção, resposta e recuperação de desastres naturais.

A norma permite maior agilidade para a execução de intervenções em situações de risco iminente, previsão oficial de eventos climáticos severos ou em municípios com decretos de emergência ou calamidade pública. Entre as obras contempladas estão contenção de encostas, limpeza e desassoreamento de rios, drenagem, reconstrução de pontes, recuperação de vias e restabelecimento de sistemas de abastecimento de água, energia e saneamento.

Apesar da dispensa do licenciamento, todas as intervenções continuam sujeitas a critérios técnicos e acompanhamento de profissionais habilitados, além da regularização posterior quando necessária.

SIMULADOS

Pelo histórico de ocorrências relacionadas às chuvas intensas, o Litoral recebeu atenção especial durante a fase de preparação. Nos últimos meses, moradores de áreas de risco de Morretes e Antonina participaram de simulados de desastres, permitindo que equipes estaduais e municipais revissem procedimentos de evacuação, atendimento à população e funcionamento da estrutura de resposta.

O treinamento também passou a ocorrer em ambiente virtual. Desde este mês, a Defesa Civil realiza simulados de mesa divididos por regiões do Estado. Até o fim de agosto serão promovidos cinco encontros on-line nos quais servidores estaduais e municipais enfrentam cenários simulados de eventos extremos para revisar protocolos e aperfeiçoar a tomada de decisões.

O trabalho busca preparar os municípios para atuar de forma rápida e coordenada em situações reais. Atualmente, o Paraná conta com 1.353 abrigos ativos para acolher pessoas desalojadas em caso de desastres.

OBRAS

Um dos principais exemplos é Francisco Beltrão, na região sudoeste, onde o Governo do Estado concluiu uma obra de R$ 58 milhões para contenção das cheias do Rio Marrecas. O sistema conta com um túnel de 1,2 quilômetro que desvia parte do fluxo de água durante períodos de chuvas intensas.

A eficiência da estrutura já foi comprovada. Durante um episódio recente de mais de 220 milímetros de chuva em apenas 30 horas, o novo sistema evitou uma enchente de grandes proporções. Enquanto eventos semelhantes no passado chegaram a deixar centenas de famílias desalojadas, desta vez apenas dez residências foram afetadas.

Outra iniciativa estratégica está voltada ao Vale do Iguaçu. O Governo do Estado apresentou o anteprojeto de engenharia para um conjunto de obras estimadas em R$ 1,3 bilhão destinadas a minimizar as cheias históricas do Rio Iguaçu em União da Vitória. A primeira etapa das intervenções tem investimento estimado em R$ 497,7 milhões.

A proposta reúne 20 intervenções, incluindo escavações, dragagens, retificação de trechos do rio, construção de canais, túneis e diques de proteção. Estudos apontam que o conjunto das obras poderá reduzir em até 2,7 metros o nível das enchentes na região, que convive com episódios recorrentes de inundação há décadas.

DRENAGEM E ADAPTAÇÃO

Na área de drenagem urbana, o Estado, por meio do IAT, apoia financeiramente municípios por meio de convênios destinados à execução de obras para prevenir alagamentos e melhorar o escoamento das águas pluviais. Há intervenções em andamento ou já concluídas em municípios da Região Metropolitana de Curitiba, como Pinhais, Colombo e Fazenda Rio Grande.

(Foto: Divulgação)

Outra frente importante é o Programa de Ressocialização e Combate à Erosão Urbana (Proceu), que soma R$ 164,7 milhões em investimentos para obras de controle de erosão. Ao todo, são 158 intervenções em diferentes regiões do Estado, das quais 134 já foram concluídas em 112 municípios.

Na região Noroeste, os investimentos priorizam o controle da erosão em áreas de solo do Arenito Caiuá, altamente suscetíveis aos impactos provocados por chuvas intensas. As ações incluem o manejo adequado das águas pluviais para reduzir processos erosivos e preservar a infraestrutura rural.

No Litoral, o Estado atua em parceria com os municípios na limpeza e no desassoreamento de canais de macrodrenagem, aumentando sua capacidade de escoamento durante períodos de chuvas intensas. As ações contemplam municípios como Antonina, Guaratuba, Matinhos, Morretes, Paranaguá, Pontal do Paraná e Guaraqueçaba.

Também fazem parte dessa estratégia as obras de recuperação e requalificação das orlas de Matinhos, Pontal do Paraná, Guaratuba e Paranaguá, que aliam revitalização urbana a melhorias nos sistemas de drenagem, aumentando a resiliência dessas regiões frente aos eventos climáticos extremos.

Além disso, desde 2019, o Governo do Estado firmou 74 convênios para implantação de parques urbanos, com investimento superior a R$ 120,8 milhões. Ao todo, 51 espaços já foram concluídos e outras obras seguem em execução.

Os parques são implantados prioritariamente em fundos de vale e áreas ambientalmente sensíveis, contribuindo para reduzir processos erosivos, preservar recursos hídricos, ampliar áreas permeáveis e melhorar a drenagem natural das cidades.

SEGURANÇA HÍDRICA

Como as mudanças climáticas também podem mudar a ocorrência de períodos prolongados de estiagem, o Governo do Estado mantém também o programa Água no Campo, coordenado pelo IAT.

Entre 2019 e 2025, a iniciativa perfurou 785 poços tubulares em 220 municípios paranaenses. Somente neste ano já foram executados outros 37 poços em 14 municípios, enquanto novas perfurações estão previstas para ampliar o abastecimento de comunidades rurais, garantindo maior segurança hídrica para famílias que vivem em regiões sujeitas à escassez de água.

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