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Especialistas apontam que a internet está entrando na “era da recomendação”, onde reputação, contexto e clareza digital passam a valer mais do que apenas cliques e palavras-chave. O Google anunciou durante o Google I/O, realizado dias 19 e 20 de maio, de forma online, uma das maiores transformações da busca em mais de 25 anos e essa mudança pode alterar profundamente a forma como consumidores descobrem empresas, serviços e marcas na internet.
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Por décadas, a lógica da busca online funcionou de maneira relativamente simples:
pesquisar → clicar → navegar. “Agora, com o avanço da inteligência artificial generativa integrada à busca, esse comportamento começa a mudar”, explica Lucas Raganhan, fundador da Sirène Media & Strategy, que participou do evento.
Segundo ele, ferramentas baseadas em IA conseguem interpretar intenção; resumir conteúdos; recomendar empresas; compreender contexto local; analisar reputação digital; interpretar imagens, vídeos e linguagem natural; e até executar tarefas em nome do usuário. Na prática, a internet começa a sair da “era da busca” e entrar na “era da recomendação”.
IA muda a forma como consumidores descobrem empresas
A transformação já impacta diretamente o comportamento dos usuários. Segundo levantamento da SparkToro em parceria com a Datos, quase 60% das buscas no Google já terminam sem nenhum clique: as chamadas zero-click searches.
Ao mesmo tempo, consumidores começam a utilizar ferramentas de IA como ChatGPT e Google Gemini para pedir recomendações; descobrir empresas; comparar serviços; planejar compras; e buscar informações contextualizadas.
Um estudo divulgado pela Adobe aponta que usuários já utilizam IA generativa como mecanismo de descoberta de marcas e produtos, o que altera significativamente a jornada tradicional de busca.
Além disso, dados do próprio Google mostram que cerca de 40% da Geração Z já utiliza plataformas como TikTok e Instagram como motores de busca para descobrir locais, negócios e experiências.
O SEO tradicional começa a mudar
Durante muitos anos, SEO foi associado principalmente a repetição de palavras-chave; produção massiva de conteúdo; volume de páginas; técnicas focadas apenas em tráfego. Mas a nova geração de IA não interpreta apenas palavras. Ela tenta compreender: contexto; coerência; reputação; especialidade; experiência; clareza; e consistência digital. A pergunta deixa de ser: “Meu site aparece no Google?” E passa a ser: “O Google entende, confia e recomenda meu negócio?”.
Google passa a interpretar empresas como entidades digitais
Uma das mudanças mais relevantes é a forma como a IA começa a interpretar negócios de maneira mais ampla. “Em vez de analisar apenas páginas isoladas, o Google passa a tentar compreender: quem é a empresa; o que ela faz; para quem ela existe; onde atua; qual sua reputação; e como seus canais digitais se conectam. Isso significa que ter apenas “um site bonito” já não é suficiente. Estrutura, semântica, reputação e clareza passam a ter papel estratégico dentro do novo ecossistema digital”, complementa Raganhan.
Surge o conceito de GEO: Generative Engine Optimization
Com essa transformação, especialistas começam a discutir a evolução do SEO tradicional para um novo conceito conhecido como GEO (Generative Engine Optimization). A proposta deixa de ser apenas “ranquear páginas” e passa a focar em: construir autoridade contextual; fortalecer entidades digitais; organizar reputação online; e aumentar a capacidade de recomendação por sistemas de IA.
Segundo Lucas, fundador da Sirène Media & Strategy, agência de digital marketing brasileira com atuação entre Brasil e Canadá, parte dessas mudanças já vinha sendo percebida na América do Norte antes mesmo dos anúncios oficiais do Google. “O futuro da presença digital começa a depender menos de truques de ranqueamento e muito mais de clareza, contexto e reputação. A IA não quer apenas encontrar páginas. Ela quer entender negócios.”
Google Business Profile ganha papel ainda mais estratégico
Dentro desse novo cenário, ferramentas como o Google Business Profile ganham importância crescente.
A IA utiliza essas informações para:
• validar contexto local;
• interpretar especialidades;
• analisar avaliações;
• compreender reputação;
• e conectar empresas às intenções reais dos usuários.
Isso aumenta o valor estratégico de:
• descrições estruturadas;
• avaliações contextualizadas;
• categorias corretas;
• FAQs;
• imagens relevantes;
• e conteúdos educativos.
Busca multimodal muda setores como turismo, wellness e hotelaria
Outro ponto destacado pelo Google é a expansão da busca multimodal. A IA passa a interpretar: imagens; vídeos; áudio; legendas; contexto visual; e linguagem falada. Isso tende a impactar fortemente áreas como turismo, hotelaria, gastronomia, wellness, branding, fotografia e negócios locais. Porque agora, vídeos, avaliações, imagens e conteúdo contextual ajudam a IA a compreender uma empresa de maneira mais profunda.
Empresas brasileiras ainda estão em fase inicial de adaptação
Embora parte dessas mudanças ainda esteja sendo implementada gradualmente em todo o globo, impactos devem crescer rapidamente nos próximos anos. Segundo relatório da McKinsey & Company, mais de 65% das organizações já utilizam inteligência artificial generativa em alguma área do negócio. A tendência é que marketing digital, branding, reputação e experiência do usuário se tornem áreas cada vez mais integradas.
Na prática, isso significa que empresas com: comunicação inconsistente; baixa clareza digital; reputação fraca; presença fragmentada ou conteúdo genérico podem enfrentar mais dificuldade para serem compreendidas e recomendadas pelos novos sistemas de IA.
Para especialistas, a principal mudança talvez não seja apenas tecnológica, mas conceitual. A internet começa a deixar de premiar apenas quem consegue “aparecer”. E passa a valorizar empresas que conseguem ser compreendidas; transmitir confiança; demonstrar especialidade e construir presença digital coerente. No novo cenário, visibilidade sozinha pode não ser suficiente. A recomendação passa a valer mais do que o clique.
A Sirène Media & Strategy atua na construção de presença digital estratégica para empresas que desejam ser descobertas, lembradas e recomendadas, seja no Google, nas redes sociais ou nos novos mecanismos de inteligência artificial.
Mais informações: www.sirenemedia.com/pt