
- Atualizado há 3 horas
O deputado estadual Renato Freitas negou ao Portal Nosso Dia, nesta segunda-feira (18), a existência de qualquer “acordão” para livrá-lo da cassação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), mas afirmou que não há unanimidade dentro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre a perda de seu mandato. Segundo o parlamentar, parte dos deputados teme criar um precedente perigoso para a própria Assembleia caso a cassação seja confirmada.
“Eu acho que essa possibilidade (de um acordão) é muito remota, quase inexistente, mas o fato é que não há consenso, não há unanimidade mesmo na CCJ em relação à minha cassação, primeiro por razões jurídicas”, declarou.
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Renato Freitas afirmou que uma eventual cassação poderia marcar negativamente a história da Alep e comparou seu caso a outros episódios envolvendo parlamentares do Paraná. “Eles temem que depois de uma decisão que vai marcar a história da Assembleia como inaugural, um deputado ser cassado por ter se defendido na rua, defendido a sua família”, afirmou.
Na sequência, o deputado citou casos antigos envolvendo políticos paranaenses e episódios de corrupção que, segundo ele, não resultaram em punições equivalentes.
“Deputados aqui da Casa cometeram assassinato de forma dolosa, como foi o caso do Rubens Recalcatti, ou de forma culposa, como foi o caso do Carli Filho. Outros escândalos de corrupção, como o Diário Secreto, como a própria corrupção do Ademar Traiano, casos de rachadinha, os casos do Arruda de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, rachadinha, etc.”, disse.
Para Freitas, uma eventual cassação abriria precedente que poderia atingir outros parlamentares futuramente. “Vai abrir um precedente que, em tese, pode engolir a todos eles. Por isso não é unânime na Comissão de Constituição e Justiça a minha cassação e outros deputados querem apresentar talvez a suspensão do mandato, uma medida menos gravosa”, afirmou.
O deputado também comentou a disputa política dentro da base governista do Paraná e relacionou o caso às articulações para as eleições de 2026. “Eu acredito que eles estão agora divididos em relação ao Ratinho como candidato do Ratinho ao governo e o Sérgio Moro. A base do governo se fraturou em torno de outros interesses”, declarou.
Segundo Renato Freitas, diferentes grupos políticos tentam jogar a responsabilidade de uma eventual não cassação entre si para não sofrer desgaste junto ao eleitorado conservador. “Se o Renato não for cassado, a culpa é deles. É como se fosse uma vacina ou uma manobra de antecipação”, afirmou.
O parlamentar ainda disse acreditar que o caso tem sido usado como instrumento de disputa eleitoral. “Eles estão me utilizando para palanque eleitoral e, como os dois candidatos estão nesse mesmo palanque caçando o meu mandato, eles querem dizer qual deles é mais rigoroso”, declarou.
Apesar disso, Freitas afirmou considerar pequena a possibilidade de reversão completa da cassação dentro da Alep, embora veja resistência de parte dos deputados em criar uma “jurisprudência política” para casos semelhantes. “Se defender no trânsito, depois de alguém tocar o carro em cima de você com a sua família, com a sua esposa grávida, se isso aí justifica a cassação, então o que farão com os corruptos?”, questionou.
O processo contra Renato Freitas teve origem após uma briga registrada em novembro de 2025, na Rua Vicente Machado, no Centro de Curitiba. O Conselho de Ética da Alep aprovou parecer favorável à cassação por entender que houve quebra de decoro parlamentar.