
- Atualizado há 14 horas
O deputado estadual Márcio Pacheco (REP), relator do processo no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), votou nesta quarta-feira (6) pela cassação do mandato do deputado Renato Freitas (PT). O caso envolve uma briga registrada em via pública, no Centro de Curitiba, entre o parlamentar e o manobrista Wesley de Souza Silva. Freitas não estava presente na votação e foi representado pelo advogado Edson Abdala.
A análise, no entanto, acabou suspensa após pedido de vista apresentado pelo deputado Doutor Antenor (PT). Com isso, a continuidade do julgamento foi remarcada para a próxima segunda-feira, a partir das 13h. Aí então, uma nova definição será tomada para que o processo vá a votação no plenário da Casa.
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Durante a sessão, Márcio Pacheco apresentou parecer favorável à perda do mandato, sustentando que houve quebra de decoro parlamentar. “Apesar de alegar que estava fora do mandato, usava carro da Assembleia e estava com um assessor junto, manchando a imagem da Casa e quebrando o decoro parlamentar”, sustentou Pacheco em sua defesa do voto.
Em entrevista, o relator afirmou que é um momento histórico para a Alep. “O Código de Ética, que foi aprovado pelos parlamentares mais recentemente, ele é muito objetivo e ele exige, de fato, com natureza bastante robusta, a pena de perda do mandato parlamentar para esse tipo de conduta de um deputado brigar no meio da rua, sem uma justificativa que tenha qualquer fundamento para legitimar aquela atitude e, claro, expor o poder legislativo como foi exposto aqui nessa briga no Centro de Curitiba”, pontuou.
Ele destacou ainda que foi um processo longo, que durou mais de cinco meses. “Pela leitura do parecer, vocês conseguem ver o tamanho da complexidade, já que foram onze representações pedindo a cassação do mandato parlamentar do deputado Renato Freitas. O sentimento de dever cumprido, de cumprir o meu papel como membro desse Conselho de Ética, e dar uma resposta à sociedade que esperava por esse momento”, concluiu.
O advogado de Freitas, Edson Abdala, disse que o voto foi ilegal e de um relator suspeito, por ideologia política contrária a do deputado que representa. “O posicionamento da defesa, que é um voto extremamente legal, basicamente ideológico, de um relator absolutamente suspeito, que manifestou-se sobre este caso mais que seis vezes nos redes sociais antes de ser o relator. E isso tudo gera a nulidade. E é isso que nós iremos buscar a partir do prazo que temos para recurso na própria Assembleia”, disse.
O processo teve origem após uma confusão ocorrida em novembro de 2025, entre as ruas Visconde do Rio Branco e Vicente Machado, na região central de Curitiba. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram Renato Freitas trocando socos e chutes com Wesley durante a discussão. As imagens tiveram ampla repercussão política e levaram à abertura de representações contra o parlamentar.
Segundo Renato Freitas, a situação começou após o homem supostamente avançar com um veículo em sua direção e proferir ofensas e ameaças. O deputado afirmou, na época, que também foi alvo de injúria racial e que apenas reagiu às agressões. Ele chegou a sofrer uma lesão no nariz e precisou de atendimento médico.
No Conselho de Ética, a defesa do parlamentar tentou arquivar o processo alegando perseguição política e suspeição de integrantes da comissão, argumentos rejeitados pelo relator. Márcio Pacheco afirmou anteriormente que “divergência política não é inimizade” e defendeu o prosseguimento das investigações.
Ao longo da tramitação, o Conselho determinou a coleta de imagens da Polícia Civil e a oitiva de Wesley de Souza Silva, além do depoimento do próprio Renato Freitas. O caso passou a integrar uma série de representações analisadas contra o deputado no colegiado.
Outros processos
Ainda durante a reunião de hoje, Freitas foi condenado à suspensão de prerrogativas de 30 dias, no processo de incidente com um assessor na CCJ (Comissão de Constituição e Jusiça). Ainda, no processo 24178/2025 (protesto no Supermercado Muffato), teve aprovada suspensão temporária do exercício do mandato por 30 dias, com votação seguindo para o plenário.
Em 2022, quando ainda era vereador de Curitiba, teve o mandato cassado após a manifestação contra o racismo na Igreja do Rosário. A decisão, porém, foi posteriormente revertida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Caso a cassação para deputado seja confirmada, o deputado deve novamente recorrer na Justiça.