
- Atualizado há 2 anos
A deputada estadual Marcia Huçulak (PSD) fez uma dura crítica às declarações da candidata à prefeitura de Curitiba, Cristina Graeml (PMB), que em entrevista à Rádio Mercosul afirmou que, se eleita, nomearia Raíssa Soares, conhecida como “Doutora Cloroquina”, como secretária municipal da Saúde.
Soares ganhou notoriedade durante a pandemia por promover o uso de medicamentos sem comprovação científica, como a cloroquina e a ivermectina, para tratar a Covid-19, e também por sua postura contrária às vacinas. Ela atuou como secretária de Saúde no município de Porto Seguro, na Bahia, onde suas políticas de enfrentamento à pandemia foram amplamente criticadas pela comunidade médica e científica.
Em coletiva de imprensa na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), nesta segunda-feira (14), Huçulak respondeu com veemência à proposta de Cristina Graeml, classificando-a como um retrocesso perigoso: “Curitiba não pode ser governada por negacionismo. A ciência salvou vidas durante a pandemia, e quem rejeita isso coloca em risco a saúde da nossa cidade. A proposta de trazer alguém que defendeu tratamentos ineficazes e antivacina é extremamente preocupante”, disparou Huçulak, que foi secretária de Saúde de Curitiba na gestão Greca/Pimentel e é uma das principais apoiadoras de Eduardo Pimentel (PSD) na disputa pela prefeitura.
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Provocação de Cristina Graeml
A fala de Huçulak foi uma reação direta às provocações de Cristina Graeml, que participou do programa Direto ao Ponto, da Rádio Mercosul, apresentado por Ogier Buchi. Durante a entrevista, Cristina aproveitou a menção ao candidato Eduardo Pimentel para criticar a gestão da saúde em Curitiba durante a pandemia, citando nominalmente Márcia Huçulak: “Convide a secretária de saúde dele. Será que vai ser a Márcia Huçulak? Durante a gestão Greca/Pimentel, um dos piores anos das nossas vidas, foi ela quem gerenciou a saúde pública de Curitiba. É isso que vocês querem, médicos esquerdistas?”, afirmou Cristina, reiterando que, caso eleita, nomeará Raíssa Soares para o cargo de secretária de saúde municipal.
Huçulak defende gestão baseada em ciência e resultados
Huçulak, que foi uma das responsáveis pelo enfrentamento à pandemia na capital paranaense, rebateu as críticas e defendeu a sua atuação à frente da Secretaria Municipal da Saúde durante o auge da crise sanitária. A deputada ressaltou que todas as decisões tomadas em Curitiba foram baseadas em protocolos científicos, o que garantiu resultados expressivos no combate à pandemia: “Estamos falando de saúde pública, e isso não pode ser tratado com base em ideologias. Nós enfrentamos a pandemia com ciência e conhecimento. Quem defende tratamentos ineficazes e é contra vacinas não pode assumir a responsabilidade pela saúde de Curitiba. A cidade que a Dra. Raíssa Soares geriu, Porto Seguro, tem uma população de pouco mais de 140 mil habitantes, menos de 10% da população de Curitiba, e mesmo assim enfrentou resultados bem piores na pandemia.”
A deputada desafiou Cristina Graeml a basear suas críticas em dados e comparou os números de suas gestões: “Curitiba, com seu sistema de saúde público robusto, atende 66 mil pessoas por dia pelo SUS. Todos os dias, trabalhamos para salvar vidas e reduzir o impacto da pandemia. Vamos debater números, porque estamos preparados para isso. Quem quer trazer alguém que rejeita vacinas e recomenda tratamentos ineficazes não está preocupada com a saúde da população, mas sim com um projeto ideológico perigoso.”
A ciência como pilar do debate eleitoral
Huçulak também aproveitou para alertar sobre o perigo do negacionismo nas políticas públicas de saúde e fez um apelo para que o debate eleitoral se concentre em propostas concretas e na melhoria da cidade: “Nós não estaríamos onde estamos hoje sem a ciência. A saúde pública de Curitiba é referência no Brasil justamente porque seguimos protocolos científicos, baseados em pesquisa e evidências. Negacionismo não tem lugar na gestão de uma cidade como Curitiba”, afirmou.
Ela acrescentou que a tentativa de associar ciência a questões ideológicas é perigosa e distorcida: “É muito preocupante quando vemos alguém falar que ser contra vacinas ou defender medicamentos sem comprovação científica é uma questão de ser de direita ou de esquerda. A ciência não tem ideologia. Nós precisamos de conhecimento, pesquisa e protocolos que salvem vidas, independentemente de qualquer posição política.”
Convocação ao debate de propostas
No final de sua fala, Huçulak fez uma convocação para um debate mais qualificado e menos polarizado, ressaltando que a população curitibana merece discussões baseadas em propostas sérias e factíveis para o futuro da cidade: “Curitiba precisa de soluções, não de ofensas ou ideologias ultrapassadas. Não é possível governar com negacionismo ou com provocações. Vamos debater a cidade com seriedade, discutir propostas concretas e falar sobre o que realmente importa para a nossa população”, finalizou a deputada.
Confira a entrevista de Marcia Huçulak na Alep