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Morreu neste sábado (13), em Curitiba, o médico oncologista e paliativista Roberto Teixeira de Castro Bettega, aos 72 anos. Considerado um dos pioneiros dos cuidados paliativos no Brasil, ele deixa um legado de décadas dedicadas ao atendimento humanizado de pacientes com doenças graves e ao desenvolvimento da especialidade no país. A informação foi confirmada pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR). A cerimônia de despedida foi realizada de forma reservada, apenas para familiares.
Nascido em Curitiba em 10 de março de 1954, Roberto Bettega formou-se em Medicina pela Universidad Nacional de Rosário, na Argentina, em 1981. Especializou-se em Oncologia Clínica e realizou residência médica no Instituto Angel Roffo, em Buenos Aires.
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Ao longo da carreira, atuou no Hospital Erasto Gaertner, onde coordenou o Grupo Interdisciplinar de Suporte Terapêutico Oncológico (GISTO). Também foi um dos fundadores da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), criada em 2005, e presidiu a entidade entre 2010 e 2012.
Em nota, o coordenador da Câmara Técnica de Cuidados Paliativos do CRM-PR, Ronnie Barreto Arrais Ykeda, destacou a importância de Bettega para a medicina brasileira.
“É com profundo pesar que lamentamos o falecimento do Dr. Roberto Bettega. Sua dedicação incansável à medicina paliativa no Brasil e Paraná deixou um legado inestimável. Ele foi um verdadeiro pioneiro, abrindo caminhos para um cuidado mais humano e digno aos pacientes. Sua partida representa uma grande perda para a comunidade médica e para todos aqueles que foram tocados por seu trabalho”, afirmou.
Em outubro de 2024, Bettega foi homenageado pelo CRM-PR durante uma cerimônia que reconheceu os pioneiros dos cuidados paliativos no Paraná. Na ocasião, recebeu a homenagem das mãos da médica Clarice Nana Yamanouchi, chefe do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital Erasto Gaertner.
Para Clarice, o médico teve papel decisivo na consolidação da área no Estado. “Participou ativamente na criação do GISTO e difundiu no Brasil os Cuidados Paliativos com a criação da Academia Nacional de Cuidados Paliativos. Teve papel fundamental na criação do programa Paraná sem Dor, projeto pioneiro no Brasil, que projetou o Erasto como modelo nacional na dispensação de opioides. Seu legado continua crescendo”, destacou.
A Frente de Cuidados Paliativos pelo Brasil também lamentou a morte do especialista. Em publicação nas redes sociais, a entidade afirmou que Bettega será lembrado como um dos principais responsáveis pela disseminação dos cuidados paliativos no Brasil e na América Latina.
O Hospital das Nações, onde o médico também atuou, ressaltou que ele foi “muito mais do que um médico”, sendo reconhecido pela sensibilidade, dedicação e acolhimento prestados a pacientes e familiares ao longo de sua trajetória profissional.
Poucos meses antes de morrer, em depoimento ao CRM-PR, Bettega defendeu a ampliação da formação em cuidados paliativos entre os profissionais de saúde. “Eu acho que a formação em Cuidados Paliativos é importante para todas as especialidades. Todas as pessoas têm que se formar em comunicação, na área psicológica. Não é ser especialista, mas pelo menos detectar e encaminhar para as pessoas certas”, afirmou.
Reconhecido por colegas e instituições como um dos grandes nomes da medicina paliativa brasileira, Roberto Bettega deixa esposa, filhos, netos e um legado que ajudou a transformar a forma de cuidar de pacientes em situações de sofrimento e fim de vida.