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A escalada da violência contra médicos no Paraná tem preocupado entidades da área da saúde. Somente nos primeiros meses de 2026, já foram registradas 57 denúncias de agressões, assédios e intimidações contra profissionais da medicina no estado, segundo dados divulgados pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), com base em levantamentos do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Os números reforçam um cenário alarmante. Entre outubro de 2023 e o início de junho de 2026, o CRM-PR recebeu 217 denúncias relacionadas à violência contra médicos. Em 2023, houve apenas um registro. Em 2024, foram 27 casos. Já em 2025, o número disparou para 132 ocorrências. Agora, antes mesmo do fim do primeiro semestre de 2026, o estado já soma 57 notificações.
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Diante desse cenário, o CRM-PR iniciou uma nova etapa da campanha de valorização e proteção ao médico generalista, levando a mensagem para as ruas por meio de outdoors instalados em Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Guarapuava e Foz do Iguaçu.
Segundo o presidente do CRM-PR, Eduardo Baptistella, o objetivo é conscientizar a população sobre a importância do respeito aos profissionais da saúde e reforçar a necessidade de denunciar episódios de violência.
“Combater a violência contra médicos é uma pauta permanente do Conselho. Nenhum profissional deve exercer a Medicina sob ameaça, intimidação ou insegurança. Ao levar essa mensagem para as ruas, queremos sensibilizar toda a sociedade sobre a importância de proteger quem dedica sua vida ao cuidado das pessoas”, afirma.
Ao todo, 25 painéis serão distribuídos nas seis cidades. Cascavel receberá seis outdoors, Guarapuava três e os demais municípios quatro cada.
De acordo com o CRM-PR, cerca de 80% das denúncias registradas ocorreram em instituições públicas de saúde, locais onde atua grande parte dos médicos generalistas, responsáveis pelos atendimentos em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), ambulatórios e prontos-socorros.
As agressões verbais são as mais frequentes, com 87 registros. Em seguida aparecem os casos de assédio moral, com 71 ocorrências. Também foram relatadas agressões psicológicas, físicas, ameaças, intimidações, abuso de poder, assédio sexual, perseguições e danos materiais.
Outro dado que chama a atenção é a subnotificação. Apenas 25% dos médicos que comunicaram episódios de violência ao CRM-PR informaram ter registrado boletim de ocorrência junto às autoridades policiais.
“O primeiro passo para enfrentar a violência é romper o silêncio. Denunciar é fundamental para que possamos compreender a dimensão do problema, acolher os profissionais e cobrar medidas efetivas de proteção”, destaca Baptistella.
O cenário paranaense acompanha uma tendência nacional. Segundo o CFM, somente em 2024 foram registrados 4.562 boletins de ocorrência relacionados à violência contra médicos em estabelecimentos de saúde em todo o país, uma média de 12 profissionais vítimas por dia. Desde 2013, o Brasil acumula quase 40 mil registros desse tipo de ocorrência.