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Enquanto Brasil e Noruega voltam a se encontrar em campo pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, neste domingo (5), às 17h, uma conexão entre os dois países segue preservada muito além do futebol. Em Curitiba, a trajetória do artista norueguês Alfredo Andersen permanece viva por meio do museu instalado na casa onde ele viveu e trabalhou durante décadas.
Natural de Kristiansand, no sul da Noruega, Andersen desembarcou no Paraná no fim do século XIX e acabou transformando Curitiba no centro de sua carreira artística. Foi na capital que desenvolveu boa parte de sua obra, formou novos talentos e conquistou o reconhecimento que o tornou conhecido como o pai da pintura paranaense.
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Para o diretor do Museu Casa Alfredo Andersen, Luiz Gustavo Vidal, a contribuição do artista ultrapassa o universo das artes.
“Alfred Emil Andersen teve um papel fundamental na formação cultural do Paraná. Seu trabalho ajudou a construir a identidade artística do Estado e influenciou diversas gerações de pintores”, afirma.
A chegada de Andersen ao Paraná aconteceu de forma inesperada. Filho de um capitão da marinha mercante, ele viajava pelo mundo quando o navio em que estava permaneceu por um longo período no porto de Paranaguá.
Durante a estadia, conheceu Ana de Oliveira, moradora da Ilha dos Valadares. O relacionamento levou ao casamento e fez com que o artista decidisse permanecer definitivamente no Brasil.
Após viver alguns anos no litoral paranaense, Andersen mudou-se para Curitiba no início do século XX. Na cidade, abriu um ateliê, passou a ministrar aulas de desenho e pintura e iniciou um trabalho que se tornaria referência para a produção artística do Estado.
Além da atuação como professor, Andersen deixou um importante acervo de pinturas que documentam paisagens, costumes e momentos marcantes da história paranaense.
Segundo Luiz Gustavo Vidal, suas obras ganharam importância histórica porque foram produzidas em uma época em que a fotografia ainda era pouco acessível.
“Os quadros de Andersen registraram paisagens, o ciclo da erva-mate e a transformação urbana de Curitiba. Hoje esse acervo representa um valioso documento histórico sobre o desenvolvimento do Paraná”, destaca.
Seu trabalho como educador também teve impacto duradouro. Muitos artistas que marcaram a história das artes plásticas paranaenses passaram por suas aulas ou foram influenciados por discípulos formados por ele.
“Se observarmos a trajetória da arte no Paraná, veremos que Andersen está na origem de praticamente todas as gerações de artistas que vieram depois”, explica Vidal.
O reconhecimento ao trabalho desenvolvido na capital veio ainda durante sua vida. Em 1931, Alfredo Andersen recebeu o título de primeiro Cidadão Honorário de Curitiba, concedido pela Câmara Municipal.
Mesmo após retornar à Noruega para visitar familiares, o artista decidiu continuar vivendo no Brasil. Ele chegou a receber um convite para dirigir a Escola de Belas Artes de Oslo, mas preferiu retornar a Curitiba.
“Ele teve a oportunidade de reconstruir sua carreira na Noruega, mas escolheu permanecer em Curitiba, onde já havia criado raízes pessoais e profissionais”, ressalta o diretor do museu.
Desde 1915, Andersen viveu e trabalhou no imóvel localizado na Rua Mateus Leme, no bairro São Francisco. Atualmente, o endereço abriga o Museu Casa Alfredo Andersen, que preserva parte significativa de sua produção artística.
Além das exposições permanentes e temporárias, o espaço mantém a Academia Alfredo Andersen, onde centenas de alunos frequentam cursos de pintura, desenho, cerâmica, fotografia e outras linguagens artísticas.
“O maior legado de Alfredo Andersen foi a formação de novos artistas. O museu mantém essa vocação como escola, preservando uma tradição iniciada por ele há mais de cem anos”, conclui Luiz Gustavo Vidal.
Museu Casa Alfredo Andersen
Funcionamento: terça-feira a domingo, das 9h30 às 17h.
Endereço: Rua Mateus Leme, 336, bairro São Francisco, Curitiba.
Entrada gratuita.