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“Virtual inviabilidade”, diz reitor da UFPR após bloqueio no orçamento das universidades

Reitores temem problemas até mesmo com os gastos mais básicos das universidades, como água e luz
Reitores temem problemas até mesmo com os gastos mais básicos das universidades, como água e luz

Redação Nosso Dia

07/10/22
às
9:10

- Atualizado há 4 anos

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O bloqueio de verbas, anunciado pelo Governo Federal, pode inviabilizar o funcionamento de grande parte das universidades federais, de acordo com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). O comunicado foi feito pelo reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Marcelo Fonseca, em coletiva de imprensa concedida nesta quinta-feira (6).

Fonseca e demais diretores da Andifes (Reprodução)

Na última quarta-feira (5), o governo Jair Bolsonaro anunciou o contingenciamento de R$ 2,4 bilhões do orçamento do Ministério da Educação para o fim de ano. A pasta nega que a medida seja um corte e afirma que o dinheiro está garantido para as instituições que precisarem.

“Imagina que uma universidade federal tem R$ 1 milhão para gastar até o final do ano. O que acontece é que ela não vai poder gastar o dinheiro todo em outubro, ela vai ter que dividir esse gasto em outubro, novembro e dezembro”, garante o ministro da Educação, Victor Godoy.

Os R$ 2,4 bilhões representam 11,4% da dotação atual de despesas discricionárias do ministério, ou seja, aquelas com livre decisão de gastos.

A Andifes, porém, teme problemas até mesmo com os gastos mais básicos das universidades.

“Como são várias as universidades, os impactos são diversos. Podemos citar, por exemplo, o conjunto de instituições que produz vacinas contra a Covid-19, como é o caso da UFPR, difícil imaginas que isso não seria afetado. Mas, além de projetos de pesquisa e extensão, as despesas mais básicas estão em risco: água, luz, manutenção, contratos de limpeza e vigilância. Trabalhadores terceirizados podem perder os empregos e estudantes de baixa renda podem ficar sem bolsas”, explicou Fonseca.

O reitor da UFPR destaca que, desde 2016, o orçamento discricionário das universidades vem caindo, chegando a uma redução de 50% em 2022. Ele critica a falta de prioridade do governo com as instituições.

“As universidades são essenciais em momentos de crise, como a gente viu na pandemia. Aliás, as universidades não pararam de atuar, seja nos seus hospitais, seja no empenho de trazer novas vacinas. Seguramente, sem as universidades públicas, a tragédia seria muito maior. O que se espera é uma priorização absoluta da importância desse caráter estratégico das universidades, que são aliadas da sociedade”, concluiu.

A perspectiva do Governo Federal é de retomar os repasses no mês de dezembro. Os reitores, porém, temem não conseguir cumprir compromissos firmados até lá.

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