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VÍDEOS: Afastamento de diretora causa confusão entre pais em escola municipal de Curitiba

Um dos pais envolvidos teria afirmado que “pelo filho, ele mata”.
Escola Municipal de Educação Integral Zélia Milléo Pavão. Foto: José Fernando Ogura/SMCS
Um dos pais envolvidos teria afirmado que “pelo filho, ele mata”.

Angelo Binder e Geovane Barreiro

24/02/25
às
14:57

- Atualizado há 1 ano

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O afastamento da diretora Escola Municipal Zélia Milleo Pavao, localizada no bairro Seminário, em Curitiba, levou a uma confusão na manhã desta segunda-feira (24) na instituição de ensino. A movimentação contou com a presença da Guarda Municipal e da Polícia Militar, além de advogados que tentaram intermediar a situação. Parte dos pais, no entanto, impediu que o advogado da diretora se pronunciasse. (Vídeos que você pode conferir no decorrer da reportagem mostra a confusão no colégio)

Uma das mães, que estava no local, relatou a situação com detalhes para o Portal Nosso Dia. “Os pais saíram no soco, porque a situação é a seguinte: foi feita uma denúncia de um ou dois pais contra a diretora, e em menos de uma semana, chegaram aqui e a destituíram, demitiram ela, diminuíram o cargo dela e tudo mais. Os pais se revoltaram porque ela é uma diretora muito boa. Essa escola é nova (foi inaugurada em maio de 2024), ela está aqui desde o início, sempre muito atenciosa e tudo, e não batia com a denúncia que foi feita”, disse a mãe.

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Ela acrescentou ainda que a decisão parecia precipitada e sem justificativas claras. “A gente foi atrás da Secretaria de Educação, eles vieram aqui hoje, disseram que tinham provas, mas não falavam que provas eram essas. Diziam que ela estava sofrendo ameaças, mas até o momento, nem ela sabia disso. Ontem, ela registrou um boletim de ocorrência contra um pai específico, porque ele estava mandando áudios para outros pais ameaçando ela e os pais contavam para ela. Ela recebia os áudios”, relatou.

Segundo a mãe, o clima ficou ainda mais tenso com a presença de seguranças e da Guarda Municipal. “Ele estava aqui com segurança armada e com a guarda municipal, que parecia ser amigo dele. Não entendi muito bem isso, mas não posso acusar ninguém, mas estavam juntos. Agora, a confusão foi tão grande que ele ia sair no braço com outro pai. Eu dei uns gritos e ele foi embora”, contou.

A mãe ainda afirmou que o pai envolvido na denúncia alegava que seu filho, que tem transtorno do espectro autista (TEA), não estava recebendo os cuidados devidos. “Ele alega que o filho tem TEA e que não estava sendo bem tratado, mas isso é uma questão com a secretaria, não com a diretora. A direção apenas encaminha, quem manda as orientações é a Secretaria de Educação”, disse.

Além disso, ela revelou que os pais estão buscando respostas: “Os pais estão se movimentando. Estamos com mais de 100 assinaturas para que ela volte e queremos explicações da secretaria de educação. Eles dizem que agiram de forma imparcial, mas até o momento não existe nenhum processo administrativo aberto até a demissão dela. A situação é bem complexa”, concluiu.

Segundo a mãe, um dos pais envolvidos teria afirmado que “pelo filho, ele mata”, o que aumentou a preocupação com a segurança no ambiente escolar. Outro pai teria reclamado que seu filho se machucou na escola, o que, segundo testemunhas, teria sido usado como argumento para pressionar a demissão da gestora.

O advogado da diretora, Almir Carvalho, afirmou que um pai induziu outros a pedirem o afastamento da diretora, o que gerou a revolta nos demais responsáveis por alunos da instituição. “Houve uma reunião com um pai, que induziu outros a reclamar contra a diretora. Na sexta, ela foi chamada na Secretaria e destituída como diretora. A comunidade ficou sabendo e isso movimentou os pais, porque ela é uma pessoa competente e as pessoas ficaram revoltadas. Hoje teve essa reunião e os pais ficaram revoltados que o conselho não foi ouvido”, disse

Conforme o advogado, com a mobilização a destituição da diretora deverá ser revista. “Tivemos reunião com a secretaria e nos garantiram que ela não será destituída e vão abrir uma sindicância para depois saber se abre, um processo administrativo. Nos garantiram que vão fazer uma investigação e ficamos mais tranquilos”, concluiu.

Por outro lado, o pai do aluno se manifestou sobre as acusações. “Sobre essa questão da ameaça, podem ter tirado de contexto uma fala minha para uma pessoa que compartilhou o áudio, que eu de forma muito cuidadosa falo da minha preocupação, da escola, etc. Sou completamente obcecado pelo meu filho. E sobre receber ameaças eu vou recorrer, vou tomar medidas cabíveis. E que eu mataria ou morreria pela minha família? É uma expressão, mas eu não direcionei a momento nenhum a diretora, jamais faria isso a uma mulher, nunca levantei uma mão para a mulher e principalmente para uma pedagoga, enfim, mulher nenhuma merece agressão, violência…Agora, medidas cabíveis dentro da legalidade eu sempre tomarei e igual estou tomando”, contou.

Ele disse ainda que havia diálogo com diretora e que procurou a secretária de educação por estar preocupado com questões de higiene e saúde das crianças dentro da escola. “Meu filho chegou em casa com o olho inchado por conta de uma alergia de picada de inseto e não fomos avisados e por pouco o meu filho não ficou cego”, disse o pai do aluno, em entrevista ao Portal Nosso Dia.

Confusão

Vídeos obtidos pelo Portal Nosso Dia mostram a confusão dentro da escola. Em um deles, aparece a vereadora Camilla Gonda (PSB), que informou em nota estar acompanhando o caso e buscando esclarecimentos junto à Secretaria de Educação de Curitiba. A vereadora informou ainda que a comunidade escolar a chamou para acompanhar a situação.

Assista ao vídeo:

O Portal Nosso Dia entrou em contato com a Prefeitura de Curitiba para que informou em nota:

“Em relação à Escola Integral Zélia Milléo Pavão (Regional Portão), que segue funcionando normalmente, a Prefeitura de Curitiba informa que a Procuradoria-Geral do Município abriu uma sindicância para apurar uma denúncia feita por um grupo de 12 pais, referente à integridade física e à higiene dos alunos.

O objetivo é esclarecer os fatos, assegurando amplo direito ao contraditório e garantindo a segurança de alunos, pais, comunidade escolar e dos próprios servidores. Se as denúncias forem comprovadas, os profissionais em questão poderão ser afastados de forma imediata.

Nesta segunda-feira (24/2), equipes da Secretaria da Educação visitaram a escola para conversar com os pais e encaminhar as soluções necessárias“, diz a nota.

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