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Tragédia na 376: Motorista chora e diz que caminhão já tinha tido problemas mecânicos

No depoimento, o motorista relatou que saiu no sábado (19) de Santos, no Litoral de São Paulo, e que a carga de peça de veículos automotivos seria entregue na Argentina
Acidente deixou nove pessoas mortas (Foto: Corpo de Bombeiros)
No depoimento, o motorista relatou que saiu no sábado (19) de Santos, no Litoral de São Paulo, e que a carga de peça de veículos automotivos seria entregue na Argentina

Luiz Henrique de Oliveira

23/10/24
às
6:37

- Atualizado há 2 anos

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O motorista do caminhão envolvido na tragédia que matou nove pessoas na BR-376, em Guaratuba, no Litoral do Paraná, chorou em depoimento à Polícia Civil e contou que o veículo tinha apresentado problemas mecânicos durante a viagem, mas que teriam sido solucionados. A batida matou membros de uma equipe de remo que seguiam de van de São Paulo para Pelotas (RS), no último domingo (20).

No depoimento, o motorista relatou que saiu no sábado (19) de Santos, no Litoral de São Paulo, e que a carga de peça de veículos automotivos seria entregue na Argentina. “Ele teve problema mecânico e parou na rodovia, onde foi guinchado até um posto de combustíveis na BR-116, em Campina Grande do Sul, e o veículo foi consertado. No domingo, seguiu viagem e novamente apresentou problemas, sendo novamente atendido pelo mesmo mecânico”, relatou o delegado Edgar Santana, da Delegacia de Delitos de Trânsito, que investiga o caso.

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Após essa segunda manutenção, o motorista seguiu viagem, até quando na BR-376, em Guaratuba, aconteceu o acidente. “Aconteceu a perda do controle do veículo, com excesso de velocidade e o impacto na traseira da van”, afirmou o delegado, confirmando que o mecânico e o proprietário do caminhão serão ouvidos. “Era a primeira viagem que o motorista fazia para este proprietário. O condutor tem a carteira para dirigir caminhão desde março deste ano”, explicou.

Por fim, o delegado destacou que o motorista, também natural de Pelotas (RS), se emocionou várias vezes durante o depoimento. “Está muito mal pelo o que aconteceu. Ele também é da cidade de Pelotas. Chorou em vários momentos do depoimento”, concluiu.

Onde e quando aconteceu o acidente?

O acidente aconteceu na noite de domingo, na BR-376, em Guaratuba. A colisão, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal do Paraná, foi registrada por volta das 21h40, no sentido sul, no km 665.

O veículo saiu de São Paulo com destino a Pelotas, no Rio Grande do Sul, em viagem fretada com equipe de atletas adolescentes de remo.

Como aconteceu e quantos veículos estavam envolvidos?

Conforme a PRF, a carreta, dirigida por um homem de 30 anos, que se feriu levemente, teria perdido os freios, colidindo na traseira da van. O veículo foi projetado à frente, batendo na traseira do automóvel conduzido por um homem, que estava sozinho e não se feriu.

Em seguida, no entanto, a van rodou e a carreta a arrastou para fora da pista, tombando sobre o veículo que levava os atletas.

Quem são as vítimas?

colisão provocou a morte do treinador da equipe, do motorista da van e de sete atletas. Na segunda-feira, a prefeitura de Pelotas decretou luto oficial de sete dias.

(Foto: Redes sociais)
  • Samuel Benites Lopes, 15 anos
  • Henri Fontoura Guimarães, 15 anos
  • João Pedro Kerchiner, 17 anos
  • Helen Belony, 20 anos
  • Nicole da Cruz, 15 anos
  • Angel Souto Vidal, 16 anos
  • Vitor Fernandes Camargo, 17 anos
  • Oguener Tissot (coordenador da equipe), 43 anos
  • Ricardo Leal da Cunha (motorista da van), 52 anos

Há sobreviventes?

O veículo de passeio estava com um ocupante, que não se feriu. Na van, eram dez pessoas (só o adolescente João Pedro Milgarejo, de 17 anos, sobreviveu). Na carreta, estava apenas o motorista, que teve ferimentos leves.

João Pedro Milgarejo, de 17 anos, sobreviveu ao acidente da equipe do remo com a van. Ele teve apenas ferimentos leves. Foto: Projeto Remar para o Futuro/Divulgação

Após o acidente, o adolescente resgatado com vida e o motorista da carreta foram encaminhados para o Hospital São José, em Joinville, Santa Catarina. Ambos receberam alta médica.

Milgarejo participou da conquista da medalha de ouro no four skiff masculino, no sábado, 19, com os companheiros Samuel Benites, Henry Fontoura e João Kerchiner, mortos no acidente, como outros quatro atletas.

A mãe do jovem, a técnica de enfermagem Gabriele Nolasco, viajou na segunda-feira, de Pelotas para Joinville, em busca do filho. Segundo ela, ele teve ferimentos em um olho e nas pernas.

Ela conseguiu falar com o rapaz três horas após o acidente e recebeu a informação de que ele havia sido encaminhado para o hospital, mas estava bem. No momento em que falou com a mãe, o adolescente ainda não sabia da morte de todos os colegas.

Equipe de medalhistas

Ainda no domingo, a equipe fez uma publicação, por meio da academia de remo Tissot, falando sobre a participação no Campeonato Brasileiro Unificado, disputado na raia olímpica da Universidade de São Paulo (USP). Foram sete medalhas conquistadas na competição por equipes e o 6° lugar na classificação geral.

“Mais de 30 clubes de todos Brasil participaram da competição mais importante da temporada, e mesmo com uma das menores equipes, oito atletas, conquistamos o 6° lugar na classificação geral. A gratidão é imensa a todos que fazem parte da nossa família e contribuem nesse processo duro, que não medem esforços para vencer as adversidades para fazer esporte de base no nosso projeto.”

Davi Perleberg Rubira, de 20 anos, ex-remador competitivo, é participante do projeto há quatro anos e membro da equipe técnica do Projeto Remar para o Futuro.

Ele esteve em São Paulo, ao mesmo tempo que as vítimas da tragédia, para outro evento. “Havia a possibilidade de voltar com eles de van, pois eu estava em São Paulo para um evento acadêmico”, contou ao Estadão o jovem, ainda abalado pela notícia.

O que é o Projeto Remar para o Futuro?

O projeto é uma parceria entre prefeitura de Pelotas, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e o Clube Centro Português 1º de Dezembro, que ocorre desde 2015 no município. Até o ano passado, já havia emplacado 12 atletas nas categorias de base da seleção da modalidade.

“O projeto promove, ao longo do período, a fim de apresentá-lo a adolescentes de 13 a 15 anos de idade da rede municipal de ensino, palestras, mostra de materiais utilizados na prática do esporte e relatos de alunos participantes, com dois processos seletivos anuais, abrindo 15 vagas por semestre. Conta com equipe multidisciplinar, envolvendo profissionais de nutrição, fisioterapia, odontologia e educação física”, afirma a prefeitura da cidade gaúcha.

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