
- Atualizado há 4 anos
Um sargento do Corpo de Bombeiros foi preso, na manhã do último sábado (21), após supostamente usar a farda fora dos “padrões da corporação”. A detenção, feita no Quartel Central, teria ocorrido por suposto desrespeito a ordem de um capitão, que no momento estava como superior hierárquico, para alinhamento das vestimentas.

Ao Nosso Dia, o advogado que acompanha o sargento detido, Jayr Ribeiro Junior, disse que o fato que levou à detenção foi uma gandola, que é uma espécie de blusa militar, para fora da calça.
“Faltavam apenas cinco minutos para o bombeiro encerrar um turno de 24 horas. Foi quando o capitão alegou que as roupas estariam desalinhadas, fora dos padrões exigidos pela corporação. Olha a desproporcionalidade da medida que levou um chefe de socorro, responsável por verificar as condições de uma viatura antes de passar o serviço, para a prisão”, diz.
Após a detenção, o sargento teria ficado detido em um banheiro do quartel, segundo informações da Associação de Praças do Estado do Paraná (Apra), até a lavratura do flagrante, que aconteceu cerca de quatro horas depois.
Para Ribeiro, isso por si só mostra todo o desrespeito da ação.
“Isso ofende o rito do flagrante, que diz que ele deve ser imediato. Mas não só isso, no acompanhamento do sargento, percebemos que a versão do capitão não é corroborada pelas testemunhas, o que nos leva a crer que o fato nem mesmo aconteceu”, afirma.
A defesa do sargento ainda alega que, durante a detenção, ele foi impedido de tomar um medicamento controlado, bem como prestar apoio ao pai, que depende de cuidados especiais e uso de fraldas geriátricas.
Com habeas corpus ingressado no Plantão Judiciário, entendeu-se pela necessidade do pagamento de uma fiança para a liberdade.
A Apra, então, iniciou uma campanha pela arrecadação dos R$ 1,2 mil. Segundo Ribeiro, o sargento fez um empréstimo para deixar a prisão, mas depende agora de valores para que possa arcar com as custas processuais.
“Quando um integrante da força comete um ato de repulsa, os demais imediatamente ficam muito sentidos com aquilo. Mas aqui, os próprios companheiros de farda entenderam que não havia motivo para aquilo [detenção], então passaram a ajudar uma pessoa que foi injustiçada”, conclui.
A defesa espera que o Ministério Público do Paraná (MP-PR) nem mesmo abra denúncia contra o sargento.
A reportagem do Nosso Dia entrou em contato com o Corpo de Bombeiros e aguarda retorno.