
- Atualizado há 16 minutos
Nenhum treinamento é capaz de reproduzir a dimensão da destruição causada pelo terremoto na Venezuela. A avaliação é do tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, comandante da equipe do Corpo de Bombeiros do Paraná que participou da missão humanitária no país abalo sísmico que devastou o local.
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Greinert integrou uma força-tarefa brasileira formada por cerca de 80 profissionais, reunindo bombeiros do Paraná, São Paulo e Minas Gerais, além de integrantes da Defesa Civil Nacional e de outros órgãos. O grupo chegou ao país dentro das primeiras 72 horas após o desastre, período considerado decisivo para o resgate de sobreviventes.
Segundo o oficial, o cenário encontrado superou tudo o que a equipe havia vivenciado em treinamentos. “O primeiro momento é até para processar aquilo que está acontecendo. Eram prédios de 10, 12, 15 andares completamente no chão, muita gente machucada, pessoas pedindo ajuda e muitos corpos nos escombros e nas ruas”, relatou.
As equipes atuaram seguindo os protocolos internacionais coordenados pela Organização das Nações Unidas (ONU), priorizando a busca por vítimas com vida, mesmo diante do risco provocado pelas constantes réplicas do terremoto.
Greinert destacou que a missão reforçou a importância da rapidez no deslocamento das equipes especializadas. “Nós chegamos dentro das primeiras 72 horas, mas ficou muito claro que quanto mais rápido a equipe chega, maior é a possibilidade de encontrar pessoas com vida.”
Durante o trabalho, a força internacional participou do resgate de 14 pessoas encontradas vivas sob os escombros e permaneceu no país até o 13º dia auxiliando na retirada de corpos em áreas de difícil acesso.
Um dos momentos mais marcantes da operação, segundo o comandante, foi a tentativa de localizar uma criança que ainda apresentava sinais de vida sob uma grande estrutura destruída. “Conseguimos ouvir pequenos barulhos durante horas, mas era uma operação extremamente complexa. Infelizmente, os sinais cessaram antes que conseguíssemos chegar até ela.”
Após o retorno ao Brasil, todos os integrantes da missão passarão por acompanhamento psicológico e de saúde. O comandante afirmou que a experiência servirá para aperfeiçoar protocolos, equipamentos e treinamentos do Corpo de Bombeiros do Paraná, fortalecendo a capacidade de resposta em futuras ocorrências no Brasil e em missões internacionais.