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Motorista de caminhão que matou nove na BR-376 é denunciado por homicídio; proprietário também

Os dois também foram denunciados por lesão corporal culposa contra o único sobrevivente do acidente
Acidente deixou nove pessoas mortas (Foto: Corpo de Bombeiros)
Os dois também foram denunciados por lesão corporal culposa contra o único sobrevivente do acidente

Redação*

19/11/24
às
6:08

- Atualizado há 2 anos

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O Ministério Público do Paraná, por meio da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca, apresentou denúncia criminal por homicídio culposo contra o condutor e o proprietário do caminhão envolvido no acidente ocorrido na noite do dia 20 de outubro passado, na BR-376, em Guaratuba, no Litoral do Paraná, que resultou na morte de nove pessoas, todas integrantes de delegação de remo de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Os dois também foram denunciados por lesão corporal culposa contra o único sobrevivente do acidente.

Sete dos mortos eram jovens atletas integrantes do projeto “Remar para o Futuro”, com idades entre 15 e 20 anos, que haviam participado do Campeonato Brasileiro de Remo. Os outros mortos foram o coordenador técnico do time e o motorista da van em que as vítimas eram transportadas. O sobrevivente é um atleta da equipe, que tem 17 anos e sofreu ferimentos.

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Segundo a denúncia, o motorista dirigiu de forma “imprudente, evidenciada pelo excesso de velocidade; imperita, consistente na falta de habilidade técnica e desconhecimento tanto da via quanto do veículo que conduzia; e negligente, consistente em deixar de verificar as boas condições e funcionamento dos freios do veículo”. Já o proprietário do veículo agiu de modo “negligente, consistente em deixar de garantir a manutenção eficiente do sistema de freios do semirreboque de sua propriedade”.

A denúncia detalha ainda que o motorista dirigia o caminhão carregado com “peças automotivas, totalizando, contêiner e carga, cerca de 24 mil quilos, quando, em excesso de velocidade, iniciou a descida de trecho de serra utilizando relação de marcha e velocidade incompatíveis tanto com a via quanto com as características e condições de conservação e manutenção do veículo que conduzia, comprometendo, com isso, o acionamento adequado do freio motor e a segurança no controle do caminhão durante a descida, situação que resultou na colisão do caminhão com a traseira da caminhonete/van Renault (onde as vítimas estavam), que, devido ao impacto, foi arrastada para fora da pista, momento em que o caminhão tombou sobre ela, causando o óbito das vítimas.” Sobre o proprietário do caminhão, a denúncia cita que o denunciado, “de forma negligente, contribuiu para a morte das vítimas (…), eis que, na qualidade de empregador e proprietário do caminhão e do semirreboque conduzidos pelo codenunciado (…), seu funcionário, deixou de garantir a manutenção eficiente do sistema de freios de serviço do semirreboque (…), cuja perícia apontou que se encontrava parcialmente operacional e em condições precárias de conservação e manutenção pré acidente (perícia de mov. 23.5), denotando que não se prestavam para desacelerar eficientemente uma massa compatível com a carga máxima indicada pelo fabricante e Código de Trânsito Brasileiro, de 25,5 toneladas nos três eixos.”

Além de punição aos denunciados nos termos previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro, o MPPR requereu na denúncia a “fixação de valor mínimo de reparação em favor da vítima sobrevivente e dos herdeiros das vítimas fatais”.

O acidente

O acidente aconteceu em Guaratuba, na BR-376. Entre as vítimas, estão atletas adolescentes do Projeto Remar para o Futuro, que voltavam de uma competição em São Paulo. Também perderam a vida o treinador da equipe e o motorista da van. Eles tinham entre 15 e 52 anos.

O veículo saiu de São Paulo com destino a Pelotas, no Rio Grande do Sul, em viagem fretada com equipe de atletas adolescentes de remo.

Como aconteceu e quantos veículos estavam envolvidos?

Conforme a PRF, a carreta, dirigida por um homem de 30 anos, que se feriu levemente, teria perdido os freios, colidindo na traseira da van. O veículo foi projetado à frente, batendo na traseira do automóvel conduzido por um homem, que estava sozinho e não se feriu.

Em seguida, no entanto, a van rodou e a carreta a arrastou para fora da pista, tombando sobre o veículo que levava os atletas.

Quem são as vítimas?

colisão provocou a morte do treinador da equipe, do motorista da van e de sete atletas. Na segunda-feira, a prefeitura de Pelotas decretou luto oficial de sete dias.

(Foto: Redes sociais)
  • Samuel Benites Lopes, 15 anos
  • Henri Fontoura Guimarães, 15 anos
  • João Pedro Kerchiner, 17 anos
  • Helen Belony, 20 anos
  • Nicole da Cruz, 15 anos
  • Angel Souto Vidal, 16 anos
  • Vitor Fernandes Camargo, 17 anos
  • Oguener Tissot (coordenador da equipe), 43 anos
  • Ricardo Leal da Cunha (motorista da van), 52 anos

Há sobreviventes?

O veículo de passeio estava com um ocupante, que não se feriu. Na van, eram dez pessoas (só o adolescente João Pedro Milgarejo, de 17 anos, sobreviveu). Na carreta, estava apenas o motorista, que teve ferimentos leves.

João Pedro Milgarejo, de 17 anos, sobreviveu ao acidente da equipe do remo com a van. Ele teve apenas ferimentos leves. Foto: Projeto Remar para o Futuro/Divulgação

Após o acidente, o adolescente resgatado com vida e o motorista da carreta foram encaminhados para o Hospital São José, em Joinville, Santa Catarina. Ambos receberam alta médica.

Milgarejo participou da conquista da medalha de ouro no four skiff masculino, no sábado, 19, com os companheiros Samuel Benites, Henry Fontoura e João Kerchiner, mortos no acidente, como outros quatro atletas.

A mãe do jovem, a técnica de enfermagem Gabriele Nolasco, viajou na segunda-feira, de Pelotas para Joinville, em busca do filho. Segundo ela, ele teve ferimentos em um olho e nas pernas.

Ela conseguiu falar com o rapaz três horas após o acidente e recebeu a informação de que ele havia sido encaminhado para o hospital, mas estava bem. No momento em que falou com a mãe, o adolescente ainda não sabia da morte de todos os colegas.

Equipe de medalhistas

Ainda no domingo, a equipe fez uma publicação, por meio da academia de remo Tissot, falando sobre a participação no Campeonato Brasileiro Unificado, disputado na raia olímpica da Universidade de São Paulo (USP). Foram sete medalhas conquistadas na competição por equipes e o 6° lugar na classificação geral.

“Mais de 30 clubes de todos Brasil participaram da competição mais importante da temporada, e mesmo com uma das menores equipes, oito atletas, conquistamos o 6° lugar na classificação geral. A gratidão é imensa a todos que fazem parte da nossa família e contribuem nesse processo duro, que não medem esforços para vencer as adversidades para fazer esporte de base no nosso projeto.”

Davi Perleberg Rubira, de 20 anos, ex-remador competitivo, é participante do projeto há quatro anos e membro da equipe técnica do Projeto Remar para o Futuro.

Ele esteve em São Paulo, ao mesmo tempo que as vítimas da tragédia, para outro evento. “Havia a possibilidade de voltar com eles de van, pois eu estava em São Paulo para um evento acadêmico”, contou ao Estadão o jovem, ainda abalado pela notícia.

O que é o Projeto Remar para o Futuro?

O projeto é uma parceria entre prefeitura de Pelotas, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e o Clube Centro Português 1º de Dezembro, que ocorre desde 2015 no município. Até o ano passado, já havia emplacado 12 atletas nas categorias de base da seleção da modalidade.

“O projeto promove, ao longo do período, a fim de apresentá-lo a adolescentes de 13 a 15 anos de idade da rede municipal de ensino, palestras, mostra de materiais utilizados na prática do esporte e relatos de alunos participantes, com dois processos seletivos anuais, abrindo 15 vagas por semestre. Conta com equipe multidisciplinar, envolvendo profissionais de nutrição, fisioterapia, odontologia e educação física”, afirma a prefeitura da cidade gaúcha.

*Com informações do Ministério Público

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