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Após mais de dois dias de julgamento, o Tribunal do Júri de Jacarezinho, no Norte Pioneiro do Paraná, condenou a 23 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial fechado, o homem apontado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) como mandante de uma tentativa de feminicídio que chocou a região. A vítima teve soda cáustica arremessada contra o rosto ao sair de uma academia, sofrendo graves lesões.
De acordo com a denúncia apresentada pela 3ª Promotoria de Justiça da comarca, o condenado planejou o crime e determinou sua execução à companheira que mantinha na época. A mulher atacou a vítima utilizando uma substância corrosiva à base de hidróxido de sódio, conhecido como soda cáustica.
O julgamento começou na manhã de segunda-feira (8) e só foi concluído na noite de terça-feira (9), com a leitura da sentença. O Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público, reconhecendo as quatro qualificadoras atribuídas ao crime: recurso que dificultou a defesa da vítima, emprego de meio cruel, feminicídio e motivo torpe.
Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de indenização mínima de R$ 50 mil à vítima pelos danos causados pelo atentado. Também foi autorizada a execução provisória da pena. O réu, que já estava preso, permanecerá encarcerado.
A mulher acusada de executar o ataque também estava sendo julgada, mas a sessão foi interrompida após o abandono do plenário por parte de sua defesa no segundo dia de julgamento, já durante a fase de debates. Diante da situação, o Ministério Público requereu a adoção das medidas legais cabíveis, incluindo a apuração de eventuais responsabilidades pela interrupção da sessão e a rápida designação de uma nova data para o júri.
A acusada permanece presa e será submetida a novo julgamento em data a ser definida pelo Poder Judiciário.
O atentado aconteceu em maio de 2024, em Jacarezinho. Segundo as investigações, a vítima foi surpreendida ao sair de uma academia e teve soda cáustica lançada contra seu rosto. O ataque provocou graves lesões, especialmente na região facial.
As apurações conduzidas pelas autoridades indicaram que a ação foi executada pela corré a mando do então ex-namorado da vítima, motivando a denúncia por tentativa de feminicídio qualificado.
Participaram do julgamento as promotoras de Justiça Nayane Cristina Ribeiro, da 3ª Promotoria de Justiça de Jacarezinho, autora da denúncia, e Bárbara Garla Stegmann, integrante do Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri (Gajuri), unidade especializada do MPPR voltada aos crimes dolosos contra a vida.
O coordenador-geral do Gajuri, Promotor de Justiça Marcelo Balzer Correia, destacou o resultado do julgamento e o trabalho conjunto realizado pelas equipes. Segundo ele, a condenação reflete o comprometimento institucional do Ministério Público na defesa da vida, na proteção das vítimas e na busca pela responsabilização dos autores de crimes graves.