
- Atualizado há 4 anos
O presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Anderson Teixeira, se notabilizou nos últimos doze anos como um dos principais líderes trabalhistas do Paraná. Além de defender os interesses da categoria que representa, ele também esteve a frente de atos contrários as reformas trabalhista e da Previdência.

Atualmente licenciado da entidade, por ser pré-candidato a deputado federal pelo PT, ele afirma que os ataques criados pelo Governo Federal fizeram muitos trabalhadores perceberem que cometeram um “erro”, o que tem retomado algumas lutas que estavam adormecidas.
Em entrevista ao Portal Nosso Dia, Teixeira afirma que a Reforma Trabalhista foi “cruel” com os trabalhadores e a falta do sindicato só foi percebida posteriormente por muitos.
“A falta é sentida agora na pele, principalmente no momento da rescisão. Hoje, a empresa chega com cálculos prontos e você aceita ou aceita, porque não há mais o questionamento ou apontamento de algo pode estar errado. Você tem aquele momento para decidir. Mas pior, se você procura depois a Justiça, ainda corre o risco de precisar pagar o advogado da empresa”, lamenta.
Ao todo, a Reforma Trabalhista alterou um conjunto de 117 artigos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e permitiu diversas alterações nos contratos. Entre as medidas, uma afetou diretamente as entidades sindicais, que foi o fim da contribuição obrigatória.
Para Teixeira, o esforço de marginalização dos sindicatos tinha como fim o projeto político do atual governo, comandado por Jair Bolsonaro (PL).
“Não só acredito houve apenas uma marginalização midiática, como houve um ataque às instituições sindicais. O governo buscou enfraquecer o ‘outro lado’. E quando digo ‘outro lado’, estou citando as reformas que tinham um intuito: que era o enfraquecimento da mobilização coletiva. O discurso de ódio lá atrás está entrelaçado com a retirada de direitos. A partir do momento que os sindicatos perdem força, o que acontece? A esquerda é marginalizada, o sindicato ganha fama de só querer atrapalhar e reformas que tiram direitos passam sem resistência”, explica.
O presidente afastado do Sindimoc acredita que o momento do Brasil mostra a necessidade de uma troca de comando no Governo Federal para revogação de diversas medidas que prejudicam a classe trabalhadora.
“Os sindicatos mais combativos hoje estão endividados, mas por qual motivo as empresas seguem com entidades fortes. É necessário que um reequilíbrio de forças seja feito. Isso só acontece com uma contrarreforma.
Durante a entrevista, Teixeira também defendeu o legado da atual diretoria do Sindimoc. Ele citou paralisações e acordos para manter os postos de trabalho, em especial dos cobradores. Segundo ele, esse é um trabalho fundamental dentro de um serviço essencial, como é o transporte coletivo.
“A tecnologia, de certa forma, engoliu muitos postos de trabalho, mas temos conseguido manter pais e mães de família com seu emprego. Desde o início da nossa gestão, o salário inicial dos trabalhadores praticamente triplicou, então é algo de fato muito significativo”, concluiu.