
- Atualizado há 2 anos
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A Justiça do Paraná colocou em liberdade provisória, em decisão tomada nesta quinta-feira (6), o capitão do Corpo de Bombeiros preso acusado de desviar produtos da Defesa Civil. O oficial foi preso em flagrante no último dia 29, no bairro Uberaba, em Curitiba, durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP/PR).
Na decisão, o juiz afirma que, embora no pedido de prisão preventiva havia a informação de que os produtos desviados eram destinados às enchentes do Rio Grande do Sul, isso não foi confirmado. “No caso concreto, impende destacar que, ao contrário do fundamentado na decisão de decretação
da custódia provisória, os objetos supostamente desviados não decorrem de doações destinadas às vítimas das enchentes que afligiram o Estado do Rio Grande do Sul”, diz trecho do documento ao qual o Portal Nosso Dia teve acesso.
A decisão pela liberdade provisória é do juiz Leandro Leite Carvalho. O Portal Nosso Dia teve acesso ao documento, onde é justificada a decisão. “Não foram exibidos indícios concretos de que o bombeiro militar tenha praticado o desvio de donativos de forma reiterada. Dessa feita, embora seja extremamente grave a imputação a recair, em aprofundada reflexão dos argumentos agora apresentados, entende que a imposição de medidas cautelares diversas da prisão revela-se apta para assegurar a ordem pública”, diz o documento.
Entre as medidas cautelares, estão a suspensão da função pública, devendo ser acauteladas as armas, coletes, carteira funcional, além de outros documentos ou objetos que lhe são ínsitos; proibição de manter contato com investigados e testemunhas; proibição de ausentar-se da Comarca em que reside sem a prévia autorização deste Juízo; proibição de frequentar qualquer Unidade do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná e da Defesa Civil e Comparecimento mensal, até o 5º dia útil de cada mês, na sede deste Juízo.
O advogado de defesa do capitão, Jeffrey Chiquini, disse que a decisão da Justiça foi acertada. Após analise da provas da defesa, a Justiça aplicou corretamente a lei. O capitão preenche todos os requisitos para estar a liberdade. Nem tudo que reluz é ouro e acusações precipitada em nada contribuem com a elucidação do caso e investigação. Nosso compromisso é com a verdade e aplicação da lei. Iremos no momento oportuno esclarece todo o ocorrido”, disse ao Portal Nosso Dia.
A prisão do capitão aconteceu na noite da última quarta-feira (29), durante uma operação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, na capital paranaense. O oficial foi detido em flagrante no bairro Uberaba, quando chegava em um endereço com uma Fiat Toro carregada dos produtos supostamente desviados. Também foi detido com o capitão um segundo suspeito. O capitão tem um cargo de chefia e um salário de cerca de R$ 15 mil mensais.
No local da prisão, além dos energéticos, foram encontrados roupas, eletrônicos e instrumentos musicais, produtos que, a princípio, teriam sido doados pela Receita Federal para a Defesa Civil. Um revólver não regularizado também foi apreendido. A origem e destino dos itens apreendidos ainda estão sob investigação.
Além do barracão em Piraquara, ele teria acesso a outro na Vila Guaíra, em Curitiba, onde também podem ter sido subtraídas doações. Segundo relatos do Boletim de Ocorrência, o capitão estacionou uma camionete no local após a saída dos recrutas do Exército e carregou-a com fardos de energético. Informações indicam que a dupla já estaria comercializando parte dos produtos desviados pela internet.
