
- Atualizado há 4 anos
Cerca de dez idosos em péssimas condições de vida foram encontrados em um asilo clandestino no início da tarde desta quinta-feira (30), em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. Eles estavam sujos e debilitados, há dois dias sem nenhuma refeição e trancados em uma casa, com grades nas portas e nas janelas. Uma das vítimas é cadeirante e outra sofre com deficiência mental. Todos receberam os primeiros atendimentos de três ambulâncias do Samu e encaminhados a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Alto Maracanã.

Uma viatura da Polícia Militar (PM) foi acionada pela vizinha do local, após notar que os idosos estavam completamente abandonados há dois dias. Segundo ela, os moradores ao redor estavam alimentando os idosos. Eles contaram que ouviam os maus tratos, pedidos de socorro, mas que acreditavam não vir na casa onde os idosos estavam.
O asilo clandestino existe há cerca de um ano e funciona em uma casa com apenas três cômodos: um quarto, uma cozinha e um banheiro. Os colchões ficavam no chão, sem qualquer cuidado, e com um forte mau cheiro. Eles não tinham acesso a higiene pessoal, banho, água, alimentos e eram proibidos de sair de dentro da casa, já que ela ficava trancada. (assista abaixo)
Os moradores contaram aos policiais que o dono da casa e alguns cuidadores visitavam o local, mas não sabiam a frequência. Segundo os idosos, o valor pago pelas famílias ao asilo clandestino seria de R$ 1 mil a R$ 1,2 mil, por mês. Alguns lamentaram que há meses não viam ninguém da família para poder denunciar.
Após a descoberta, três enfermeiras e uma médica do Samu estiveram na casa e encaminharam as vítimas a UPA. Depois, eles serão acolhidos pela Assistência Social de Colombo, por meio do Centro POP.
A Polícia Civil também foi até a casa e deverá conduzir as investigações que poderão resultar em indiciamento por maus tratos e tortura. Além disso, a família de um idoso que vivia na casa registrou Boletim de Ocorrência (B.O) por desaparecimento. Paulo Minervino estaria desde novembro do ano passado sem falar com a família, que teria dito que tentava contato com ele todos dos dias, mas sem sucesso.
O investigador Felipe Carioca disse que esse desaparecimento está sendo investigado. “Torcemos para que ele seja encontrado vivo, mas há evidências de morte”, disse. “São dez, vinte anos trabalhando na polícia e ver uma situação assim, de maus tratos, tortura, mexe com a gente. Mas, agora cabe a autoridade investigar tudo isso”, finalizou o investigador de Colombo.