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Funcionário de mercado é afastado e professora faz BO por racismo em Curitiba

A abertura de investigação foi confirmada nesta tarde pela delegada responsável pelo caso, Camila Cecconello, titular da Divisão de Homicídios de Curitiba
(Foto: Reprodução de Vídeo)
A abertura de investigação foi confirmada nesta tarde pela delegada responsável pelo caso, Camila Cecconello, titular da Divisão de Homicídios de Curitiba

Redação com Estadão Conteúdo

11/04/23
às
7:48

- Atualizado há 3 anos

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A Polícia Civil de Curitiba abriu inquérito nesta segunda-feira, 10, para investigar o crime de racismo de que a professora Isabel Oliveira afirma ter sido vítima dentro de um mercado da rede Atacadão (grupo Carrefour), no bairro do Parolin, zona sul de Curitiba. A professora, que foi a delegacia fazer Boletim de Ocorrência (BO), diz que foi seguida por um segurança dentro do estabelecimento e, horas mais tarde, voltou para finalizar suas compras e ficou apenas de calcinha e sutiã, para mostrar que não estava furtando. Além disso, por meio de nota, o Atacadão informou que o funcionário envolvido no caso foi afastado. (Confira a nota no fim da matéria)

A abertura de investigação foi confirmada nesta tarde pela delegada responsável pelo caso, Camila Cecconello, titular da Divisão de Homicídios de Curitiba. Nesta tarde, Isabel registrou boletim de ocorrência e prestou depoimento. Neste momento, o caso está autuado pelos crimes da lei de discriminação racial.

A delegada informou que ouvirá testemunhas, funcionários e gerentes, e que buscará imagens de câmera de segurança tanto internas quanto externas ao estabelecimento. Ao Estadão, a rede Atacadão afirmou este domingo, 9, que revisou as imagens do dia do incidente e ‘não identificou indícios de abordagem indevida’.

Nesta segunda, a empresa divulgou um novo posicionamento, afirmando que suspendeu o funcionário indicado por Isabel e que ‘imagens internas das câmeras da loja serão disponibilizadas às autoridades’.

O caso de Isabel ganhou repercussão nacional. Na Sexta-feira Santa, 7, ela foi ao mercado comprar leite em pó para a filha e diz que foi seguida por um segurança enquanto andava entre as gôndolas.

De acordo com a delegada, a professora chegou a confrontar o funcionário e foi embora, bastante abalada. Dentro do carro, Isabel gravou um vídeo que foi depois publicado nas suas redes sociais. Aos prantos, ela comentou o que aconteceu.

Horas mais tarde, ela retornou ao mesmo mercado e, enquanto pegava os produtos, tirou a roupa. No seu corpo, ela escreveu, ‘sou uma ameaça?’.

“Quando eu vim vestida, havia um segurança atrás de mim. Eu voltei, agora nua, para levar a latinha de leite para a minha bebê e mostrar que não estou roubando nada”, disse a professora para uma atendente.

Repercussão

Durante seu discurso na reunião dos 100 dias de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, diante dos seus ministros, o caso de Isabel.

Funcionário afastado

Em nota enviada à imprensa, nesta segunda-feira, o Grupo Carrefour confirmou o afastamento do funcionário após intensa repercussão do caso:

O Grupo Carrefour Brasil está completamente comprometido com uma total transparência e segue postura de tolerância zero contra qualquer tipo de racismo.

A companhia abriu apuração interna sobre o caso e suspendeu o funcionário indicado pela senhora Isabel durante esse período de investigação. Imagens internas das câmeras da loja serão disponibilizadas às autoridades.

O Grupo Carrefour Brasil é uma empresa brasileira de capital aberto com 47 anos de presença no país, a maior empregadora privada do Brasil, com mais de 150 mil colaboradores, e comprometida com uma extensa agenda antirracista.

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