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Um coletivo estudantil denunciou a existência de um grupo que estaria planejando crimes sexuais contra alunas do curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná, no Campus Curitiba. O caso veio à tona após a divulgação de mensagens que indicariam ameaças, organização de ataques e até a estipulação de valores como “prêmio” contra vítimas.
A denúncia foi divulgada pelo Grupo de Estudos Remís Carla (GERC) com base em informações do Diretório Acadêmico Nilo Cairo (DANC). Segundo o relato, conversas obtidas em redes sociais mostram homens discutindo possíveis alvos, listando estudantes e até monitorando o trajeto de uma delas. O material já teria sido anexado a um Boletim de Ocorrência, e o caso está sob investigação policial.
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O coletivo afirma que as ameaças colocam em risco a segurança física e psicológica das estudantes e cobra medidas mais firmes por parte da universidade. Também critica o que considera uma resposta insuficiente diante da gravidade das denúncias.
Em nota oficial, a Universidade Federal do Paraná informou que tomou conhecimento das mensagens e classificou o caso como uma denúncia grave envolvendo ameaça de violência sexual. A instituição afirmou que adotou medidas imediatas de acolhimento e orientação às pessoas envolvidas, além de acionar setores responsáveis pela segurança e acompanhamento da comunidade acadêmica.
A universidade também anunciou a abertura de uma investigação preliminar, por meio da Corregedoria, para apurar eventual responsabilidade de membros da comunidade universitária. Ainda conforme a UFPR, a gestão mantém atuação “vigilante e ativa” para garantir um ambiente seguro, inclusivo e acolhedor.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná também se manifestou sobre o caso e declarou repúdio absoluto às denúncias. Em nota, o órgão afirmou que irá adotar todas as medidas dentro de suas atribuições para assegurar a proteção e a integridade física, psicológica e moral dos estudantes.
O conselho destacou ainda a necessidade de apuração célere, rigorosa e transparente dos fatos, com responsabilização dos envolvidos conforme a lei, e reiterou compromisso de “tolerância zero” a qualquer forma de violência, intimidação ou ameaça no ambiente de formação médica.
O caso ocorre em um contexto de aumento da violência contra mulheres no país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que, em 2025, foram registrados 1.568 casos de feminicídio, o maior número dos últimos dez anos.
As investigações seguem em andamento.