PUBLICIDADE
Educação /
DIA A DIA

Exigência de vídeo simulando aula para contrato de PSS deixa professores indignados no PR

Ministério Público do Paraná (MPPR) foi acionado para que tome as providências necessárias e cancele a exigência dos candidatos apresentarem vídeos, segundo os professores
Ministério Público do Paraná (MPPR) foi acionado para que tome as providências necessárias e cancele a exigência dos candidatos apresentarem vídeos, segundo os professores

Geovane Barreiro

21/06/22
às
10:49

- Atualizado há 4 anos

Compartilhe:

Os professores do Estado do Paraná estão indignados com a exigência de apresentar um vídeo, em que simulam uma aula, para serem contratados pelo sistema PSS (Processo Seletivo Simplificado). O edital de abertura do PSS traz como critérios de avaliação tom de voz e expressões faciais e corporais, durante o vídeo. A categoria rechaça essa exigência e alega que ‘professores não são youtubers’. O Ministério Público do Paraná (MPPR) está sendo acionado, segundo eles.

Bastidores da gravação das aulas da rede pública durante a pandemia. Foto: SEED

Para a presidente da APP-Sindicato, Walkiria Olegário Mazeto, que representa a categoria, avaliar um vídeo gravado não é a mesma situação empregada em sala de aula. “Em primeiro lugar, boa parte dos candidatos já faz parte do quadro de professores do Estado, alguns há mais de dez anos. Muitos já fazem parte da rotina escolar. Depois, fazer uma avaliação de uma aula simulada em vídeo não é a mesma coisa que uma sala de aula, ou seja, a desenvoltura e o comportamento não é o mesmo do que na prática”, garante, em entrevista ao Portal Nosso Dia.

Toda a avaliação e visualização dos vídeos serão feitas para a contratação de modo temporário de professores e pedagogos. De acordo com a presidente da APP, essa análise não faz sentido para seis meses ou um ano de trabalho dos contratados. “Ainda se fosse um concurso público, alguém efetivo no serviço público pelos próximos trinta anos, poderia até ser factível. Mas para um contrato de seis meses? De um ano? Não justifica esse dispêndio de recurso”, critica Walkiria.

Demanda

Essa exigência para gravar aulas e enviar vídeos para a contratação está movimentando os aluguéis de estúdios. A presidente da APP denuncia que estão sendo ofertadas até mesmo planos de aula completos para a gravação. “Tem estúdios vendendo a hora para a gravação: R$ 200 a hora, R$ 300 a hora. Outros chegam a montar um plano de aula para a pessoa poder gravar em cima daquilo, ou seja, comprar um pacote do que vai ser gravado. Abriu um outro campo que, inclusive, contamina essa avaliação”, avalia a presidente da APP.

Pedido

Sobre isso, o deputado estadual Tadeu Veneri (PT) usou a tribuna na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep-PR) para criticar a exigência. “Os professores não precisam ser youtubers e nem faz sentido dizer que devem ter expressão facial para aprovação no PSS. A Secretaria da Educação perdeu de vez a razão, não há sentido de estabelecer esse método. Às vezes dá impressão de que o governador ou não sabe o que está acontecendo ou não entende absolutamente nada”, diz o deputado.

Segundo ele, um pedido foi feito ao Ministério Público do Paraná (MPPR) para tome as providências necessárias e cancele a exigência dos candidatos apresentarem vídeos.

Governo do Estado

Para a Secretaria de Educação, a produção e envio do vídeo faz parte do processo seletivo contratado pela empresa. Para o Portal Nosso Dia, o Governo do Estado garantiu que a gravação faz parte da etapa de seleção e é importante.

“O objetivo é avaliar a didática do professor — ver como, além de possuir conhecimento do conteúdo, ele também consegue transmiti-lo. O Instituto Consulplan, responsável pela processo, fará a avaliação dos vídeos enviados”, diz a nota.

TÁ SABENDO?

DIA A DIA

© 2024 Nosso dia - Portal de Noticias