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Equilíbrio entre modais de transporte é segredo para cidade viável, diz pesquisador após estudo em Curitiba

Em Curitiba, os biarticulados ganham 5 mil passageiros a cada reajuste de R$ 0,10 no litro da gasolina
Em Curitiba, os biarticulados ganham 5 mil passageiros a cada reajuste de R$ 0,10 no litro da gasolina

Redação Nosso Dia

08/06/22
às
10:54

- Atualizado há 4 anos

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O equilíbrio entre os mais diversos modais de transporte é um dos segredos para tornar a cidade viável. A conclusão é do pesquisador Luis André Wernecke Fumagalli, do Grupo de Pesquisas em Cidade Digital Estratégica, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Ele, em conjunto com outros pesquisadores, buscam entender a relação que leva moradores de Curitiba a optarem por um transporte individual ou coletivo de passageiros.

Para ele, um dos principais desafios da gestão pública é encontrar esse equilíbrio.

Retomada da normalidade fez crescer número de passageiros (Foto: Pedro Ribas/SMCS)

“Não podemos buscar de maneira cega o caminho só do ônibus ou só a bicicleta. O grande segredo é como a gente consegue integrar todas as necessidades e variáveis. O ideal, e há cidades que fazem isso muito bem ao redor do mundo, é integrar a bicicleta com ônibus e depois o ônibus com o metrô. A viabilidade de um sistema depende de um número mínimo de pessoas usando todos os modais”, explica.

O pesquisador lembra ainda que o espaço da cidade é finito, então as soluções precisam ser coletivas.

“Se você coloca mais gente na cidade, não pode colocar mas veículos, não há espaço. Hoje não há como você ampliar uma rua, por exemplo. A gente precisa equilibrar o que se tem, até para que não haja perda de tempo e de dinheiro”, comenta.

Em Curitiba, cada carro na rua representa, em média, 25 passagens mensais a menos vendidas no transporte público.

Troca do carro pelo ônibus

Uma das principais conclusões da pesquisa é que a crise econômica, aliada aos constantes aumentos no combustível, fez milhares de curitibanos trocarem o carro pelo ônibus. De acordo com estudo, que foi feito em parceria entre os pesquisadores da PUCPR com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), os biarticulados ganham 5 mil passageiros a cada reajuste de R$ 0,10 no litro da gasolina.

Publicada na revista Sustainability, a conclusão foi tomada com base em modelos matemáticos que levaram em conta principalmente seis linhas BRT que cortam a capital paranaense. Juntas, as linhas concentram 30% do fluxo de passageiros na capital.

De acordo com Fumagalli, o contexto de crise e combustível alto fez o curitibano procurar novas soluções.

“Historicamente, Curitiba é uma cidade com poder aquisitivo alto. Por aqui, a proporção de carros por habitante é muito alta e, socialmente, ainda é um símbolo de ascensão, de conquista. O trabalho do Poder Público precisa ser no sentido de que o ônibus seja uma escolha, que seja atrativo, mas hoje infelizmente a troca acontece mais pela questão econômica”, destaca.

Para o estudo, os pesquisadores levaram uma série de fatores em conta, como o preço da tarifa, a segurança pública e o tempo. Segundo as conclusões, quando a tarifa é mantida em patamar estável, a troca acontece.

“Como a tarifa fica estável, com o aporte de subsídio, as pessoas fazem a troca. E mais, com o agravamento da crise, há pessoas que hoje estão até mesmo vendendo o carro por encontrarem soluções economicamente mais viáveis”, diz o pesquisador.

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