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Os pais de João Gabriel Ferreira dos Santos, de 5 anos, são tratados como vítimas na investigação sobre o desaparecimento da criança, ocorrido no último domingo (26), em uma chácara na região de Campo Redondo, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. A Polícia Civil do Paraná (PCPR), por meio do delegado Gabriel Fontana, também explicou como foi a manhã em que a criança sumiu, segundo os parentes.
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Em entrevista, o delegado explicou que as investigações seguem em paralelo às buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros e que, até o momento, não há elementos que indiquem a prática de um crime. “Pelo momento, a gente trata essa família também como vítima da situação, junto da criança que está desaparecida”, afirmou.
Segundo o delegado, a Polícia Civil ouviu os pais de João Gabriel para reconstruir toda a dinâmica do desaparecimento e agora dará continuidade às oitivas de vizinhos e moradores da região. “Agora vamos ouvir os vizinhos e também os moradores das chácaras da região para que possamos formar uma opinião com base em todas as oitivas realizadas”, disse.
De acordo com o relato prestado à polícia, os pais participaram de um churrasco com amigos na noite de sábado (25) e, em seguida, foram dormir. O casal está em processo de separação, situação que, segundo o delegado, já era conhecida pelos investigadores e não possui relação, até o momento, com o desaparecimento da criança.
“Falou-se que a mãe teria comprado uma passagem para fugir, mas isso já havia sido planejado anteriormente. Eles estão em processo de separação e ela já havia providenciado essa passagem”, esclareceu Fontana.
Dia do desaparecimento
Na manhã de domingo, o pai saiu cedo para realizar atividades como lavrador. Quando retornou, encontrou o filho dormindo e voltou às tarefas. Mais tarde, por volta das 10h30, foi acordado pela mãe, que informou que João Gabriel havia desaparecido.
Conforme o depoimento, o menino, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), costumava demonstrar quando precisava ir ao banheiro retirando as roupas. O banheiro utilizado por ele ficava na parte externa da residência.
“A criança tinha o costume de ir sozinha ao banheiro e sempre retornava. Nunca houve um indicativo anterior de que ela costumasse fugir ou andar sozinha pela propriedade”, explicou o delegado.
Ainda segundo a investigação, João Gabriel também demonstrava cautela ao se aproximar dos tanques existentes na chácara.
“Os pais relataram que, quando ele se aproximava dos tanques, parava e aguardava um adulto. Ele não avançava sozinho para essas áreas”, afirmou Fontana.
Após perceber que o filho não retornava do banheiro, a mãe iniciou as buscas na propriedade e, em seguida, acordou o pai. A família passou a procurar pela criança e acionou as equipes de emergência.
Desde então, uma força-tarefa formada pelo Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Guarda Municipal e Polícia Civil atua na região. Drones com câmera térmica, cães farejadores, embarcações e redes para varredura dos tanques foram utilizados nas buscas.
Segundo o delegado, a Polícia Civil acompanha os trabalhos desde o primeiro dia e investiga todas as possibilidades.
“Nós ouvimos os pais para entender como foi a noite anterior, a manhã do desaparecimento, como era o relacionamento deles e como era a rotina da criança. O objetivo é compreender toda a dinâmica dos fatos e verificar se existe ou não algum indicativo de crime”, concluiu.