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A defesa do vereador Lórens Nogueira (Progressistas) pediu o arquivamento do processo ético-disciplinar que pode resultar na cassação de seu mandato na Câmara Municipal de Curitiba. Nas alegações finais entregues à Comissão Processante 01/2026 nesta segunda-feira (20), os advogados sustentam que a acusação é baseada em “provas vazias” e afirmam que a instrução não confirmou as suspeitas levantadas contra o parlamentar.
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Segundo a nota divulgada nesta terça-feira, a defesa afirma ter rebatido, de forma “robusta, técnica e minuciosa”, todos os pontos da representação e argumenta que Lórens “não praticou nenhuma das condutas descritas” na denúncia.
Os advogados alegam que, durante a fase de instrução, apenas a autora da denúncia manteve as acusações e que, mesmo assim, ela teria admitido em depoimento que não presenciou os fatos narrados. A defesa afirma ainda que as demais testemunhas, inclusive algumas indicadas pela acusação, negaram a versão apresentada na representação.
Outro argumento apresentado é de que o procedimento teria sido comprometido por supostos vícios desde a sua origem, como a formação da Comissão Processante e a utilização de elementos de prova que, segundo a defesa, não teriam autorização judicial.
Com isso, os advogados pedem que o parecer da comissão seja pelo arquivamento integral do processo, com a absolvição do vereador.
Na última fase da instrução, Lórens prestou depoimento por cerca de uma hora e meia à Comissão Processante e negou todas as acusações.
Ao comentar um vídeo apresentado pelo Ministério Público do Paraná, no qual aparece recebendo dinheiro em espécie, o vereador afirmou que o valor correspondia ao pagamento de um empréstimo pessoal de R$ 12 mil feito em 2024.
Segundo ele, a entrega do dinheiro ocorreu na sede do Instituto Grupo Solidário, entidade ligada ao seu trabalho social, em um ambiente aberto e com circulação de pessoas.
“A transação financeira aconteceu na sede do Instituto Grupo Solidário, um local aberto. No vídeo é possível ver portão aberto, porta aberta, janela aberta, outras pessoas circulando o ambiente. Quem faria uma ação proibida à luz, para que fosse de conhecimento de qualquer outra pessoa?”, declarou.
Lórens também negou que servidores do seu gabinete fossem obrigados a atuar no Instituto Grupo Solidário ou realizassem atividades da entidade durante o expediente. “Ser voluntário não é crime. Em nenhum momento servidores do meu gabinete prestaram serviços no Instituto Grupo Solidário em horário de serviço”, afirmou.
O processo de cassação teve origem após a Operação Déjà-Vu, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná. A investigação apura suspeitas de prática de rachadinha, desvio de função de servidores públicos e outras possíveis irregularidades envolvendo o gabinete do vereador.
Na esfera política, a denúncia foi apresentada pela bancada do Partido Novo e aceita pelo plenário da Câmara Municipal de Curitiba em 1º de junho, por 35 votos favoráveis e apenas um contrário — o do próprio Lórens Nogueira.
Com a abertura da Comissão Processante, foram ouvidas testemunhas de acusação e de defesa, além do próprio vereador. Encerrada a fase de instrução, a defesa apresentou suas alegações finais e agora cabe ao relator elaborar um parecer recomendando o arquivamento ou a continuidade do processo.
O documento será analisado pelos integrantes da Comissão Processante e, posteriormente, encaminhado ao plenário da Câmara. Caso a comissão entenda pela procedência da denúncia, a eventual cassação do mandato dependerá do voto favorável de dois terços dos vereadores.