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Ataque hacker ao sistema de alerta severo começou por Curitiba, afirma Defesa Civil Nacional

Sistema de emergência foi invadido e enviou mensagens com a palavra “misantropia” a celulares em várias capitais; Defesa Civil e PF investigam o caso
Secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff - Antonio Cruz/Agência Brasil
Sistema de emergência foi invadido e enviou mensagens com a palavra “misantropia” a celulares em várias capitais; Defesa Civil e PF investigam o caso

Redação Nosso Dia

20/06/26
às
12:25

- Atualizado há 21 segundos

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Curitiba foi o ponto inicial de uma sequência de disparos irregulares de alertas extremos registrados na noite de sexta-feira (19), em um episódio classificado pelas autoridades como ataque hacker ao sistema de emergência Cell Broadcast da Defesa Civil. As mensagens, que traziam a palavra “misantropia”, se espalharam em seguida para outras cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Campo Grande e Rio Branco.

O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, detalhou o caso em entrevista coletiva realizada na manhã deste sábado (20). Segundo ele, o sistema sofreu múltiplas invasões em sequência.

“O que se sabe até agora é que cada um dos ataques teve um disparo de mensagens. Não se sabe se da mesma pessoa ou de várias pessoas. Começou em Curitiba, suspendemos, e depois foi acontecendo em outras cidades e fomos suspendendo. Foram nove acessos criminosos ao sistema de Broadcast e mais um do SMS”, afirmou.

Wolff explicou que, embora o sistema seja de abrangência nacional, o envio dos alertas é organizado por estados, o que ajuda a entender como os disparos ocorreram em cadeia. Ele também confirmou que a Polícia Federal já foi acionada para aprofundar a investigação, que inicialmente vinha sendo conduzida por equipes técnicas da Defesa Civil.

De acordo com o secretário, uma das linhas de apuração envolve identificar não apenas a origem dos acessos, mas também o alcance das mensagens. “A investigação em conjunto também vai dar uma noção de quantos celulares receberam o alerta. O primeiro alerta foi de Curitiba, no Paraná. Também vamos descobrir quantas pessoas fizeram parte deste ataque criminoso”, disse.

O episódio, segundo Wolff, impacta diretamente a confiança em um sistema considerado relativamente novo. “Claro que a confiabilidade do sistema cai bruscamente, mas já estamos trabalhando em uma nova versão que garanta mais segurança”, afirmou.

Outro ponto em análise é o uso da palavra “misantropia” nas mensagens falsas. Até o momento, não há confirmação sobre o motivo da escolha do termo, que também será avaliado durante a investigação conjunta com a Polícia Federal.

As primeiras notificações foram registradas em Curitiba por volta das 23h30 de sexta-feira. Em seguida, moradores de outras capitais relataram o recebimento dos alertas, que em alguns casos também mencionavam um suposto “ataque alienígena”.

Os avisos chamaram atenção pelo formato: sirenes altas, vibração intensa e interrupção total do uso do celular, características típicas de alertas reais de emergência, o que aumentou a confusão entre os usuários.

Nas redes sociais, o caso gerou surpresa, já que o conteúdo não tinha relação com riscos climáticos ou situações reais de perigo. A palavra “misantropia” é usada para descrever aversão à convivência humana, podendo também estar associada a estados de isolamento ou sofrimento emocional.

Em nota divulgada ainda na noite de sexta-feira, o governo do Paraná informou que o alerta não partiu da Defesa Civil estadual e acionou a Defesa Civil Nacional e a Anatel. O órgão reforçou que não havia qualquer situação de risco em Curitiba no momento dos disparos.

A Defesa Civil de Curitiba também negou responsabilidade pelo envio das mensagens e afirmou que o sistema não é operado pelo município. A prefeitura disse que busca esclarecimentos junto aos responsáveis pela plataforma.

Este não é o primeiro caso de alerta indevido no sistema Cell Broadcast. Em fevereiro deste ano, uma ocorrência semelhante já havia gerado susto entre moradores.

O sistema está em operação no Paraná desde agosto de 2024 e utiliza antenas de telefonia móvel para enviar mensagens de emergência a todos os aparelhos dentro de uma área específica, sem necessidade de cadastro. Em alertas extremos, uma sirene pode ser acionada por até 10 segundos, mesmo com o celular em modo silencioso.

Além do Cell Broadcast, a Defesa Civil mantém outros canais de comunicação, como SMS, WhatsApp e Telegram, voltados para usuários cadastrados. As investigações seguem para identificar os responsáveis pelo ataque e evitar novas invasões ao sistema.

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