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Comandante dos bombeiros pede aposentadoria após Governo pedir separação da Polícia Militar

Para o Governo, a iniciativa de desvincular o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar melhora a execução do orçamento para a compra de equipamentos e a preparação oficial
Para o Governo, a iniciativa de desvincular o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar melhora a execução do orçamento para a compra de equipamentos e a preparação oficial

Elizangela Jubanski, especial ao Nosso Dia

23/11/22
às
17:23

- Atualizado há 3 anos

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O comandante do 2º Comando Regional de Bombeiro Militar, o coronel Altemistoncley Diogo Rodrigues, fez um pedido de aposentadoria nessa terça-feira (21). Segundo um documento enviado à corporação, intitulada como ‘despedida e agradecimento’, o pedido acontece em meio a proposta do Governo do Paraná para que o Corpo de Bombeiros seja separado da Polícia Militar. “Se ocorrer essa desvinculação, será um grande equívoco”, escreve o comandante.

Coronel Diogo Rodrigues. Foto: Divulgação

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), agora nas mãos dos deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em regime de urgência, faz parte de um pacote de medidas administrativas apresentadas pelo Governo do Paraná. Entre elas, a proposta para tornar a Copel uma corporação e a criação de nove novas secretarias.

Defesa

Para o Governo, a iniciativa de desvincular o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar melhora a execução do orçamento para a compra de equipamentos e a preparação oficial, que seguirá com carreira sob regulamentação própria da corporação. A mudança também é apontada como um dos meios para aprimorar o combate a incêndios no Estado e valorizar o trabalho dos profissionais. A ideia é dar aos bombeiros autonomia financeira e administrativa.

No Brasil, apenas os estados do Paraná e São Paulo mantêm o Corpo de Bombeiros vinculado à PM, sendo que o último estado a realizar a separação foi o Rio Grande do Sul, há cerca de cinco anos.

Contrário

No entanto, o coronel e comandante do 2º Comando Regional enxerga a mudança como um grande equívoco, “que traz desconforto, estresse, agonia e incertezas para muitos militares estaduais’. No documento, ele afirma ter estudado e pensado em teorias positivas para a separação dos bombeiros com a polícia, mas não encontrou, segundo ele.

“Estudei e pensei muito nas teorias positivas, mas, data vênia, não consegui encontrar nenhum motivo plausível para uma decisão tão drástica, que em tese, aparentemente só está atendendo interesses de uma minoria, podendo haver prejuízos à sociedade e riscos a médio e longo prazo, aos militares estaduais. Entendendo que deveria haver possibilidade de contraponto nesse processo de
cognição”, escreve.

Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN

Segundo ele, o pedido de reserva remunerada é tomada para que não faça parte do processo de mudança. “(…) Não sou compatível, de forma fundamentada, com a condução atual e com esse processo, de maneira alguma quero trocar o certo pelo duvidoso, e não quero participar (mesmo que por inércia) ou ter algum tipo de culpabilidade sobre as consequências que possam advir, consciente de que fiz o que pude, buscando alertar a todos”, diz o documento do coronel.

Uma fonte do Portal Nosso Dia ligada aos praças (soldados e cabos), a mudança não é vista com bom olhos pela categoria inferior da hierarquia militar. É uma alteração, segundo a fonte, que beneficiaria os oficiais do Corpo de Bombeiros.

Pedido

A reserva remunerada é um tipo de modalidade é voltado para quem para de trabalhar e continua sendo remunerado. Entretanto, se houver necessidade, pode voltar à ativa para ajudar em uma situação excepcional (após convocação ou mobilização). No total, o militar tem o direito de passar para a reserva remunerada com 31 anos, 8 meses e 12 dias de serviço.

O coronel Altemistoncley Diogo Rodrigues atua no Corpo de Bombeiros há 33 anos, 2 meses e 20 dias.

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