
- Atualizado há 4 anos
Os casos de lesão corporal contra pessoas LGBTQIA+ cresceram 494,1% em um ano no Paraná, de acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Ao longo de 2021, foram 101 vítimas de agressões, número bem acima dos 17 registrados em 2020. A sigla LGBTQIA+ se refere a lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queer, intersexuais, assexuais e outras orientações ou identidades de gênero.

Crime desde 2019 por entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), o racismo por homofobia também registrou alta. Segundo os dados, as denúncias subiram de 21, em 2020, para 38, em 2021.
No Paraná, nenhum dos demais indicadores contra LGBTQIA+ apresentaram queda. Os homicídios subiram de 9 para 14 (alta de 55,6%). Já os estupros, que não estavam no registro em 2020, foram a 15 em 2021.
Para o presidente da Aliança Nacional LGBTI+, Toni Reis, são três os fatores principais que refletem esse aumento.
“As pessoas estão mais conscientes dos seus direitos na nossa comunidade. Estamos falando cotidianamente a elas da importância de fazer a queixa e o boletim de ocorrência. Segundo, há um aumento no discurso de ódio. Embora 70% dos brasileiros aceitem a homossexualidade, temos 21% da população que é extremamente radicalizada e chegam a usar o termo bíblico abomináveis para nós. É um discurso que legitima e desumaniza a população LGBTQIA+, então algumas pessoas se sentem autorizadas por autoridades religiosas a nos espancar e nos matar. Terceiro, buscamos cada vez mais cumprir a decisão do STF”, destaca.
No Brasil, os casos de lesão corporal contra LGBTQIA+ subiram 35,2%. Chama a atenção, porém, a falta de dados. Em pelo menos 10 estados não há registros específicos de LGBTIfobia.
Questionado sobre o fato de muitas pessoas ainda não verem a homofobia como crime, Toni Reis afirma que “logo, logo” isso irá mudar.
“Nós temos em andamento muitos processos, com nossa equipe de 162 advogados, provocando o Ministério Público e atuando com as Defensorias Públicas. Isso é fundamental para que tenhamos novos tempos. Se as pessoas não aprendem por educação e respeito à civilização, vão aprender pelo bolso e vão se incomodar. Esse é um processo civilizatório, uma vez que ninguém pode ser discriminado”, afirma.
Toni Reis é pioneiro na luta LGBTQIA+ no Brasil. Dentre as vitórias obtidas na Justiça, ele obteve a primeira adoção conjunta homossexual no país. Com 38 anos de atuação, ele promete não parar.
“Vou continuar até meus últimos dias. Até brinquei esses dias com meu companheiro: se eu estiver na UTI, vou receber a denúncia e já encaminhar para o setor jurídico. Causa perdida é aquela que você desiste e eu, nesse caso, tenho persistência, determinação e foco”, conclui.