
- Atualizado há 4 anos
Um ato marcado pra a próxima sexta-feira (22), na Boca Maldita, em Curitiba, relembra das vítimas e pede agilidade da Justiça em casos de feminicídio. A data, 22 de julho, remete ao assassinato da advogada Tatiane Spitzner, agredida e morta pelo marido, Luis Felipe Manvailer, em Guarapuava.

Promovido pelo Instituto Alice Quintilhano, o evento irá contar com a participação de familiares das mulheres que tiveram as vidas tiradas por homens que não aceitavam o fim do relacionamento. A manifestação irá contar também com entidades e ativistas da sociedade civil que atuam no combate à violência contra a mulher.
De acordo com o presidente do instituto, Gilmar Quintilhano, os dados de violência contra a mulher são alarmantes e a sociedade não pode mais tratar os crimes como algo normal. “Toda mulher tem o direito de decidir que caminho seguir e com quem quer compartilhar a vida. O fim do relacionamento não é uma sentença de morte. Maldito o homem que abaixa a cabeça para outro homem e levanta para uma mulher”, disse.
Entre as vítimas que serão lembradas no ato, estão: Ana Paula Campestrini, Letícia Stefani Inácio Raimundo, Tathiane Borges de Oliveira, Diene Brito e Ketlin Vitória Martins Chagas.
Ketlin, por exemplo, foi morta na tarde de Natal, em Colombo. Ela estava em um pesque-pague, quando o ex-namorado teria invadido o espaço e, inconformado com o novo namoro dela, teria praticado o crime.
A mãe dela, Patrícia Martins, pede justiça. “O que fizeram com a minha filha, não pode passar impune. A Justiça está tão devagar, são sete meses e nada foi feito, é revoltante”, lamenta.
Gilmar cita que a atuação do Instituto Alice Quintilhano não se limitar ao combate à violência contra a mulher, mas também em oferecer apoio a famílias das vítimas. Segundo ele, estudos mostram que três crianças ficam órfãos em cada crime de feminicídio. “São pessoas que se tornam invisíveis aos olhos da sociedade. Dentre os problemas psicológicos enfrentados por elas, estão depressão, alcoolismo e suicídio. O instituto surgiu tendo como pauta a prevenção ao feminicídio, mas também o apoio para as vítimas indiretas”, concluiu.
Sancionado pelo governador Ratinho Junior, o dia de luta definido como “Dia D” é o 22 de julho em lembrança a data da morte da advogada guarapuavana Tatiane Spitzner, fato que ampliou, em todo o Brasil e até em outros países, o debate sobre a violência contra a mulher.

Tatiane Spitzner foi encontrada morta após cair do prédio onde morava, em Guarapuava. Segundo laudo do Instituto Médico-Legal (IML) a morte da advogada foi causada por asfixia mecânica.
O marido dela, Luis Felipe Manvailer, foi condenado a 31 anos e 9 meses de prisão.