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Suspeita de lavagem e confusão patrimonial: o que levou a polícia à produtora de ‘Dark Horse’

A decisão judicial que autorizou a Operação Wi-Fi cita a ligação de Karina Gama com a realização do filme Dark Horse
A decisão judicial que autorizou a Operação Wi-Fi cita a ligação de Karina Gama com a realização do filme Dark Horse

Estadão Conteúdo

02/06/26
às
8:45

- Atualizado há 6 horas

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Além das supostas fraudes no contrato de Wi-Fi da Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil, a Polícia Civil também investiga a suspeita de “desvio de finalidade e confusão patrimonial” para a lavagem de dinheiro envolvendo Karina Ferreira da Gama e a empresa Go Up Entertainment. Karina recebeu R$ 1 milhão de uma emenda parlamentar do deputado federal Mário Frias (PL-SP).

A decisão judicial que autorizou a Operação Wi-Fi cita a ligação de Karina Gama com a realização do filme Dark Horse. Há suspeita de repasse indireto de recursos públicos oriundos do programa municipal para financiamento audiovisual para o filme. A Prefeitura já negou que o longa-metragem sobre Jair Bolsonaro tenha recebido recursos municipais.

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Em nota divulgada na manhã desta segunda-feira, 1, a administração municipal afirmou que “repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos”, sustentando que o contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil “seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”.

A reportagem procurou a Go UP, o ICB e Karina, mas não conseguiu localizar suas defesas. Em oportunidades anteriores, Karina, o instituto e a Go Up negaram qualquer irregularidade O espaço segue aberto.

Entre as inconsistências investigadas está a apresentação de quatro faturas emitidas pela empresa Make Onde Tecnologia Digital Ltda, totalizando R$ 8,5 milhões sem a emissão das respectivas notas fiscais ou recolhimento tributário. As faturas têm numeração sequencial, mesma data de emissão e vencimento. Além disso, os valores teriam sido artificialmente fracionados, o que sugeriria possível montagem para justificar saídas ilícitas de recursos financeiros.

A Make One foi uma das empresas contratadas pelo ICB para a execução dos 5 mil pontos de Wi-Fi na periferia da cidade, contrato que está no centro da Operação desencadeada nesta segunda-feira, dia 1.º, pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. Ela foi um dos alvos das buscas. A reportagem não conseguiu localizar seus sócios bem como sua defesa. O espaço segue aberto.

Além da Make One, a investigação também apura notas fiscais emitidas pela empresa Complexys Soluções Integradas no valor de R$ 2 milhões, que foram canceladas no mesmo dia da emissão, mas que foram usadas para justificar despesas em prestação de contas apresentada à Prefeitura. Outra empresa que teria sido usada para justificar os gastos do ICB foi a JR Feijão Ltda, com sede no Ceará, que teria recebido R$ 406 mil em 2024.

Haveria ainda a suspeita de autofaturamento por meio de notas fiscais emitidas pelo ICB de mais de R$ 1,4 milhão e duplicidade de faturas no valor de R$ 925 mil, conforme parecer da própria secretaria municipal, que teria concluído pela gravidade das irregularidades financeiras na execução do contrato.

Favela Conectada

Por fim, há suspeitas em relação à subcontratação da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda, atualmente denominada Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda. Contratada pelo ICB por R$ 12 milhões, a Favela Conectada teria recebido R$ 2 milhões até dezembro de 2025.

A polícia chegou a constatar a ausência de dados essenciais no contrato do ICB com a Favela, como o nome completo do representante da empresa contratada, identificado apenas como Alex. A polícia constatou que se trata de Alex Sandro Bispo dos Santos, preso por feminicídio. Após sua prisão, a empresa foi transferida para uma mulher que declarou morar no mesmo endereço do ex-proprietário.

Estadão não conseguiu localizar as defesa da Complexys, da JR Feijão, bem como da Favela Conectada e de Bispo dos Santos O espaço segue aberto.

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