
- Atualizado há 4 anos
Ah, os gatos… Quantos mitos, quantos preconceitos. Mas muitas pessoas já ultrapassaram aquela fama de individualistas e traiçoeiros. Hoje são humanos de felinos. Mas para ser um gateiro, não basta ter um gato. É preciso conhecer muito bem a alma e o comportamento desses bichanos. E isso não é para qualquer um.
Cada dia conheço uma pessoa com uma história de amor pelos gatos. Sempre começa com um “eu não gostava de gatos, tinha medo, achava que não podia confiar”. E termina com foto de cinco gatos na cama, a casa gatificada, caneca de “primeiro o sachê do gato, depois meu café” e camiseta de “mãe de gato também é mãe”.
Quem é capaz de desvendar a alma felina, ganha um melhor amigo (mas só quando o gato quer). Cachorro é aquele ser que já nasce amando todo mundo. Já o gato ama poucos na vida. Por isso, se você é amado por algum gato, você é uma pessoa muito especial (esse é o barato de ter um gato).
Não importa se você é gateiro de primeira viagem ou se tem gatos de herança. Muitas informações são essenciais para oferecer uma melhor qualidade de vida aos bichanos.
Veja os 7 pontos mais importantes que você deve saber, enquanto tutor de gato.
1. Caixa de areia
O primeiro e mais importante ponto da vida de um gato é a hora da intimidade, da eliminação. Não são poucos os gatos que fazem xixi ou cocô em local errado. O que, muitas vezes, está relacionado ao manejo errado da caixa de areia.
Tenha uma caixa a mais do número de gatos. Se você tem três gatos, tenha quatro caixas. Se tem um gato, duas caixas e assim sucessivamente. Isso fará com que o gato tenha mais chances de encontrar a caixa limpa e sem cheiros de outrem.
Na caixa, dê preferência para substrato fino, que o gato possa cavar. Não adianta colocar só aquele resto de areia, para tapar o fundo da caixa. Deixe pelo menos cinco centímetros de areia para que o gato possa executar seus comportamentos naturais.
Veja neste vídeo os erros mais comuns relacionados à caixa de areia:
Não adianta, o melhor é levar o gato em um médico veterinário especialista em felinos. Além de ter uma visão mais voltada para a espécie, o consultório é preparado para o felino. Em algumas clínicas, cães não são permitidos. Na hora de examinar, há todo um cuidado no manejo, para o gato ficar mais relaxado.
E não adianta ir ao veterinário somente quando o gato está mal. Vale lembrar que os gatos são peritos em esconder dor. Então, faça check-up anualmente, para pegar qualquer possibilidade de doença bem no início. Isso facilita, inclusive, o tratamento.
Para chegar até o veterinário, é importante que o gato já esteja acostumado a andar na caixa de transporte. Do contrário, o estresse já começa no transporte. Uma dica é deixar a caixa como uma toquinha na sala ou mesmo no quarto.
Gatos são caçadores. A ração seca é uma invenção humana, para garantir que o bichano coma todos os nutrientes necessários. Mas a melhor alimentação é o sachê. Apesar de algumas pessoas associarem a alimentação úmida a petisco, a maioria das marcas disponíveis no mercado são completas e balanceadas.
O sachê, inclusive, tem uma quantidade hídrica bem maior, ajudando aqueles gatos porpetas a emagrecerem. Também é indicado para os gatos que não gostam de tomar água ou os que tem algum problema renal.
O sachê não deve ser misturado na ração! Você deve oferecer em potes separados. Gatos são exigentes!
Sobre fontes, tem esse vídeo super legal
Gato não é cachorro! Parece algo óbvio, mas não é. Muitas vezes eu chego para atender os gatos e pergunto quais são os brinquedos. Bolinha é o mais comum. “Mas ele não brinca muito sozinho. Eu tenho que ficar jogando” alguns comentam.
A brincadeira do gato, normalmente está associada a comportamentos de caça. Uma bolinha parada não tem graça nenhuma. Mas quando você joga, aí começa a ser interessante. Porém, há inúmeros outros brinquedos mais legais.
Não, não é aquela peninha automática, que fica girando de forma previsível, muito menos o peixe que pula sozinho. Em uma primeira interação, pode até ser divertido, mas quando o gato já sabe o que esperar do brinquedo, perde a graça.
O ideal mesmo são as varinhas que imitam animais. Peninha, ratinho, fita costumam ser os preferidos. Mas não vale ir com a pena na cara do gato. É preciso mimetizar um pássaro voando mesmo. Tudo isso para que o felino possa expressar todos seus comportamentos vinculados à caça.
Se você não fizer, se prepare para ter calcanhares e calças atacados no meio da noite.
Veja no vídeo abaixo como fazer um brinquedo para colocar ração
Esse neologismo significa transformar o ambiente em um espaço verticalizado para o gato. Prateleiras, tocas, arranhadores, passarelas, esconderijos elevados podem aumentar o bem-estar do gato e melhorar sua confiança.
Gatos se sentem mais confortáveis em locais altos, de onde eles podem observar melhor a situação para antever qualquer perigo. Por isso eles sobem nas geladeiras, mesas e afins. São gambiarras, enquanto você não gatifica sua casa.
O ideal é que a casa inteira tenha pelo menos um espaço elevado para o felino. Mas se não der, pelo menos o cômodo que ele/você mais fica.
Siga sempre a regra de “entrada e saída”. O gato não pode se sentir encurralado. Ele sempre deve ter uma rota de fuga, que não pode ser a mesma pela qual ele subiu. Quando for projetar a gatificação, pense em um “V” invertido.
Olha como é a gatificação dos meus gatos, no vídeo abaixo
Sabe aquele gato que arranha sofá, cortina, tapete, cadeira, box da cama? Ele está fazendo gambiarra. O sonho dele era ter lindos arranhadores espalhados pela casa. Assim, ele poderia deixar sua comunicação, seu cheiro, espreguiçar e afiar as unhas. Mas como você não fornece algo adequado, ele se vira com os móveis que tem.
Não adianta falar que tem uma torrezinha de sisal. O arranhador precisa ser firme, com um tecido que a unha entre e ele consiga puxar e que ele se estique todo. Por isso, a altura e o material do arranhador são tão importantes.
Oferece diversos materiais, locais e posições. Tenha arranhador na horizontal, na vertical e na diagonal. Ofereça aqueles de papelão, carpete e até fibra de coco. Quem vai escolher o melhor, é o gato. Lembra o quanto eles são exigentes?
Se você tem mais de um gato, a localização dos arranhadores é fundamental. O ideal é que eles estejam sempre no centro do território, para que haja “disputa” de cheiro.
Cada gato tem uma personalidade. Querer que todos os gatos sejam iguais é um dos maiores erros. Respeitar essa individualidade é o que nos faz melhores tutores. Por isso, ler sobre comportamento felino, buscar profissionais para sanar possíveis dúvidas, fazer cursos sobre gatos, seguir profissionais especialistas em felinos é fundamental. Quanto mais você consumir materiais de qualidade, mais qualidade de vida você vai poder proporcionar.
O que faz um bom tutor de gato não é a quantidade que tem ou o tempo que os conhece, mas a dedicação diária. Não julgue o seu gato como se ele fosse um cachorro. Ou pior ainda, como se ele fosse um mini humano peludo. Foi com esse julgamento que surgiram todos os mitos e preconceitos.
Se você não tem gato ou mesmo não gosta de gato, está tudo bem. Envie esse texto para aquele seu amigo, vizinho, primo que tem. Afinal, sempre tem alguém muito próximo que é gateiro. Isso faz parte da dominação felina (brincadeira de gateiros).