
- Atualizado há 46 segundos
O prefeito afastado de Fazenda Rio Grande, Marco Marcondes (PSD), voltou a se manifestar publicamente sobre as investigações que resultaram em seu afastamento do cargo e fez duras acusações contra o deputado federal Toninho Wandscheer (PP) e o deputado estadual Alisson Wandscheer (PP), pai e filho, que tem reduto eleitoral na região. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Marcondes afirmou que vem sofrendo perseguição política, ameaças e intimidações há meses. Ele afirmou que Toninho é psicopata por poder e dinheiro. (Assista ao vídeo mais abaixo) O parlamentar, por sua vez, afirmou que o prefeito afastado responderá judicialmente por calúnia e difamação (Confira a nota mais abaixo). (Assista ao vídeo mais abaixo)
Marcondes foi preso em operação deflagrada pelo Ministério Público que investiga desvios na saúde. Segundo ele, decidiu quebrar o silêncio após mais de oito meses evitando conflitos. “Fiquei em silêncio diante de todas as ameaças, intimidações, injúrias e tentativas de desonra. Hoje vou esclarecer tudo. Chega de ficar calado. Esse é o modo operante do deputado Toninho Wandscheer, a busca psicopata dele por dinheiro e poder, doa a quem doer, colocou eu e Fazenda Rio Grande nesta situação”, declarou.
Para receber as principais informações do dia pelo WhatsApp entre no grupo do Portal Nosso Dia clicando aqui
Durante o pronunciamento, Marcondes acusou Toninho Wandscheer de ter interesse em empreendimentos imobiliários na região do Passo Amarelo. O prefeito afastado alegou que teria sido procurado para viabilizar loteamentos em áreas de floresta e zona rural e que recebeu propostas que, segundo ele, poderia comprovar.
Assista ao vídeo:
Marcondes também afirmou possuir uma conversa gravada envolvendo Alisson Wandscheer. Segundo sua versão, o diálogo indicaria interesses relacionados a projetos urbanísticos e investimentos na região. Na gravação, Alisson afirma: “A única coisa que o pai tinha pedido para ele por ter ajudado ele na campanha foi aumentar o perímetro urbano naquela parte lá, que daí ele conseguiria fazer os loteamentos e recuperar o dinheiro. E ele não fez”.
O prefeito afastado ainda relacionou os pedidos de cassação protocolados contra ele na Câmara Municipal ao que considera uma estratégia de perseguição política. “Isso é ou não é uma perseguição?”, questionou no vídeo.

Ao abordar a Operação Fake Care, que investiga supostos desvios de recursos públicos na área da saúde, Marcondes, que chegou a ficar preso e foi solto com tornozeleira eletrônica, negou qualquer irregularidade. Ele afirmou que os cerca de R$ 10 milhões citados nas investigações correspondem ao valor total de um contrato firmado entre a prefeitura e uma empresa responsável pela realização de exames rápidos durante quase dois anos.
Segundo ele, os serviços foram efetivamente prestados e os atendimentos realizados à população podem ser comprovados por documentos assinados pelos pacientes. “Não existe desvio ou roubo da minha parte”, declarou.
Marcondes também rebateu suspeitas sobre sua evolução patrimonial. De acordo com ele, o crescimento de seu patrimônio teve origem em financiamentos bancários e seria compatível com sua capacidade financeira. Ele afirmou ainda que a maior parte dessa evolução ocorreu antes da contratação da empresa investigada pela prefeitura.
Marcondes destacou que seu sigilo bancário foi quebrado durante as investigações e que foi questionado sobre movimentações financeiras que somariam aproximadamente R$ 250 mil em menos de dois anos. Segundo sua versão, os investigadores não teriam considerado a totalidade dos rendimentos familiares no período.
Ao final da gravação, Marcondes voltou a afirmar inocência e disse confiar na Justiça para reverter seu afastamento. “Sempre fui um cara da paz, não gosto de brigas, evito conflitos. Mas essa batalha não fui eu quem escolhi enfrentar. Me colocaram nela e agora eu vou até o final”, afirmou.
O Portal Nosso Dia entrou em contato com os deputados Alisson e Toninho e aguarda um retorno. A assessoria de Toninho encaminhou a seguinte nota:
O deputado federal Toninho Wandscheer repudia de forma veemente as falsas e levianas acusações feitas pelo ex-prefeito afastado de Fazenda Rio Grande.
Marco Marcondes terá de provar na Justiça pelas alegações mentirosas e sem qualquer base na realidade de que o deputado teria influenciado decisões do GAECO, do Ministério Público ou do Poder Judiciário, bem como a suposta ameaça que afirma ter sofrido.
Diante da gravidade das ofensas e da absoluta ausência de qualquer prova, informamos que medidas judiciais cabíveis por calúnia e difamação já estão sendo adotadas. O réu responderá civil e criminalmente perante o Poder Judiciário.
O deputado Toninho Wandscheer reafirma seu compromisso histórico de mais de 30 anos de vida pública pautada pela ética, transparência e pelo trabalho sério em prol do Paraná e de Fazenda Rio Grande. Ele não aceitará que mentiras sejam utilizadas para tentar desviar a atenção dos fatos que estão sendo apurados pela Justiça.
Operação Fake Care
O prefeito de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, Marco Marcondes, e outros quatro envolvidos na Operação Fake Care foram denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MPPR). Além do prefeito, o auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), Alberto Martins de Faria; o secretário municipal da Fazenda, Francisco Roberto Barbosa; o empresário Samuel Antônio da Silva Nunes e o comentarista esportivo Fernandes Gomes estão sendo denunciados por desviar dinheiro público da saúde do município. Um novo nome apareceu na denúncia do MPPR: a mãe do auditor do TCE-PR, Ângela Maria Martins de Faria.
Segundo o MPPR, o grupo formava uma organização criminosa que direcionava contratos de uma empresa responsável por testes rápidos e levantamentos estatísticos. O objetivo seria desviar verbas públicas e pagar propina a servidores de alto escalão. O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 10 milhões.