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“Parecia que a gente era bandida”, relata vítima de caso de racismo em supermercado de Curitiba

Segundo Valéria, a sensação de constrangimento começou logo na entrada do mercado
(Foto: Reprodução)
Segundo Valéria, a sensação de constrangimento começou logo na entrada do mercado

Luiz Henrique de Oliveira

24/07/26
às
14:44

- Atualizado há 17 segundos

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A mulher que denunciou ter sido vítima de racismo em uma unidade da rede Condor, no bairro Mercês, em Curitiba, detalhou ao Portal Nosso Dia como o ocorreu a abordagem dentro do supermercado, na noite de quarta-feira (22). Em entrevista, Valéria Batista de Souza afirmou que ela e a amiga, Thays Matos Silva, foram seguidas por quatro seguranças durante toda a permanência no estabelecimento e acabaram revistadas no caixa, mesmo sem qualquer atitude que justificasse a suspeita. (Assista ao vídeo abaixo)

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Segundo Valéria, a sensação de constrangimento começou logo na entrada do mercado. “Desde que a gente entrou já tinha um segurança seguindo a gente. Infelizmente, pessoas negras acabam se acostumando com esse tipo de situação. Mas, dessa vez, conforme a gente andava pelo mercado, foi aumentando o número de seguranças. No final eram quatro.”

Ela conta que as duas apenas faziam compras para preparar o jantar e passavam vários minutos comparando preços e escolhendo produtos. “A gente ficou olhando a marca do macarrão, comparando preços, procurando o camarão mais em conta. Era uma compra normal. Mesmo assim, tinha segurança em todas as pontas dos corredores.”

De acordo com Valéria, ao chegar ao caixa ela decidiu questionar um dos funcionários sobre a perseguição. “Eu falei que ele estava seguindo a gente o tempo inteiro e que aquilo estava me incomodando. Disse que, se ele achava que a gente estava roubando, podia passar as compras ali mesmo.”

Assista ao vídeo:

Segundo ela, o segurança respondeu que apenas cumpria um procedimento interno. Logo em seguida, chamou pelo rádio uma segurança feminina para revistar as duas.

Valéria afirmou que a amiga precisou abrir a bolsa e explicar a origem de um pacote de biscoitos que havia comprado anteriormente em outro estabelecimento. “Perguntaram se os absorventes que ela carregava tinham sido pegos no mercado e exigiram nota fiscal do biscoito. Minha amiga até falou que podia abrir o aplicativo do banco para mostrar a compra, mas eu disse que ela não precisava provar nada. Se eles achavam que ela tinha pegado aquele produto ali, que mostrassem nas câmeras.”

Ela também ressaltou que, justamente por receio de situações desse tipo, evita abrir a bolsa enquanto faz compras. “A gente entra no mercado com o celular na mão para não precisar abrir a bolsa. Em nenhum momento mexemos nas mochilas. Eles ficaram com a gente o tempo inteiro e não viram absolutamente nada.”

Para Valéria, o momento mais constrangedor aconteceu durante a revista. “A gente ficou encurralada. Tinha um segurança atrás, outro na frente e mais dois observando. Parecia que a gente era bandida, como se representasse um grande perigo.”

O caso veio à tona após a divulgação de um vídeo nas redes sociais mostrando parte da abordagem. As duas mulheres registraram boletim de ocorrência e formalizaram uma denúncia por suspeita de racismo.

A reportagem entrou em contato com a rede Condor, que lamentou o episódio:

“A Rede Condor tomou conhecimento do relato envolvendo a abordagem de uma cliente em uma de suas unidades e lamenta sinceramente o constrangimento vivido por ela.

A empresa reconhece que a abordagem não ocorreu de acordo com seus procedimentos internos e está apurando o caso com a seriedade necessária, para que todas as medidas cabíveis sejam adotadas.

Ao longo de seus 52 anos de história, a Rede Condor construiu uma relação de confiança com milhões de famílias. Essa trajetória aumenta ainda mais a responsabilidade da empresa de garantir que todas as pessoas sejam recebidas e tratadas com respeito, dignidade e igualdade.

A Rede Condor não compactua com qualquer forma de discriminação, preconceito ou racismo.

A empresa também está buscando contato direto com a cliente, pois considera essencial ouvi-la, compreender plenamente o ocorrido e tratar a situação com respeito, atenção e sensibilidade.

TÁ SABENDO?

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