
- Atualizado há 12 segundos
O motorista responsável pelo atropelamento que matou o idoso João Ksiozek Filho, de 69 anos, no bairro Santa Quitéria, em Curitiba, foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio doloso, quando há intenção ou assunção do risco de matar. Para a família, isso significa um grande avanço no caso, que segue para o Tribunal do Juri (Confira abaixo a nota da família).
O caso aconteceu em março de 2025 e o acusado responde em liberdade. De acordo com a denúncia, o homem, que é mecânico, dirigia sob efeito de álcool e com a capacidade psicomotora alterada, além de ter ingerido medicação incompatível com bebida alcoólica. Mesmo nessas condições, ele ignorou a sinalização de trânsito e avançou com o carro sobre a calçada, atingindo a vítima.
Para receber as principais informações do dia pelo WhatsApp entre no grupo do Portal Nosso Dia clicando aqui
O impacto foi violento. O idoso, que seguia para uma padaria, foi arremessado contra o muro de uma residência e sofreu ferimentos graves, que resultaram na morte. Para o Ministério Público, o motorista assumiu o risco de provocar o resultado fatal, o que caracteriza o chamado dolo eventual .
Ainda conforme o documento, após o atropelamento, o condutor deixou de prestar socorro imediato à vítima. Ele permaneceu dentro do veículo e chegou a tentar fugir do local, sendo impedido por moradores, que retiraram a chave da ignição .
O teste do bafômetro apontou 1,48 mg de álcool por litro de ar expelido. Em depoimento à polícia, o motorista afirmou que havia ingerido cerca de um litro de cerveja e duas doses de cachaça, além de dizer que não se lembrava do momento do atropelamento.
Outrro caso
Além deste caso, ele também responde a outro processo criminal em Curitiba, relacionado à liberação de um ônibus com problemas no sistema de freios, que resultou na morte do dono da churrascaria Master Grill, Marcos Lazário. Relembre clicando aqui.
Confira a nota do advogado Leonardo Mestri, que representa a família de João Ksiozek Filho:
A denúncia oferecida pelo Ministério Público marca um avanço relevante, mas é também resultado de um longo caminho percorrido pela família desde o primeiro momento, insistindo naquilo que muitos, inicialmente, resistiram em reconhecer: não se tratou de um simples acidente. A morte de João Ksiozek Filho foi consequência de uma conduta consciente, marcada por escolhas incompatíveis com a preservação da vida, e que assumiu, sim, o risco de produzir o resultado fatal. O acolhimento dessa tese não surge por acaso — ele reflete uma mudança necessária de paradigma, alinhada a uma luta social cada vez mais evidente de que mortes no trânsito, em contextos como este, não podem ser automaticamente tratadas como homicídios culposos.
É preciso dizer com clareza: não foi fatalidade, não foi imprevisível, não foi inevitável. Foi uma sequência de decisões que colocaram vidas em risco e que culminaram em uma perda irreparável. A denúncia reafirma que o Direito Penal não pode fechar os olhos para esse tipo de conduta, sob pena de normalizar tragédias evitáveis. A família segue firme na busca por justiça, não apenas em memória de João, mas também em defesa de uma resposta estatal proporcional à gravidade dos fatos, para que casos como este deixem de ser tratados como meros “acidentes” e passem a ser enfrentados com a seriedade que exigem.
O espaço permanece aberto caso a defesa do denunciado queira se manifestar.