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Justiça nega prisão preventiva de empresário acusado de racismo em posto de combustíveis

Ainda nesta sexta, o Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou o empresário por injúria e ameaça agravadas e vias de fato
Empresário (ao centro de boné) responderá em liberdade (Foto: Reprodução)
Ainda nesta sexta, o Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou o empresário por injúria e ameaça agravadas e vias de fato

Redação Nosso Dia

21/10/23
às
8:28

- Atualizado há 2 anos

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A Justiça negou, nesta sexta-feira (20), pedido da Polícia Civil do Paraná de prisão preventiva contra o empresário Marcelo Francisco da Silva, filmado xingando um frentista de ‘macaco’, neguinho’ e ‘nordestino dos infernos’, em um posto de combustíveis no bairro Boqueirão, em Curitiba. O caso aconteceu no último sábado (14) e teve repercussão nacional.

Ainda nesta sexta, o Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou o empresário por injúria e ameaça agravadas e vias de fato. Conforme o órgão, apesar de não decidir pela prisão, a Justiça determinou várias medidas cautelares a serem seguidas pelo réu – entre elas, a proibição de se aproximar a menos de 200 metros do posto de combustível onde ocorreram os fatos e das vítimas, bem como de manter contato com elas por qualquer meio, e recolhimento domiciliar das 20h às 6h e nos finais de semana.

Além disso, Marcelo deverá ser monitorado eletronicamente pelo prazo inicial de 90 dias. Na decisão contra a prisão, a juíza Katiane Fatima Pellin afirmou que não se pode invocar a comoção popular que a divulgação das imagens causou, já que são as condutas do representado (Marcelo) que estão em discussão, e não a repercussão delas.

“A liberdade é a regra e a prisão somente se justifica quando não for cabível sua substituição por outras medidas cautelares”, disse a juíza.

Frentista tem 18 anos e procurou a Central de Flagrantes. Foto: Reprodução

Culpa do alcoolismo

O empresário Marcelo Francisco da Silva se apresentou no 7° Distrito Policial, em Curitiba, na tarde desta segunda-feira (16), onde permaneceu em silêncio durante depoimento. Em entrevista à imprensa, o advogado Raphael Nascimento, que representa o suspeito, citou problemas do cliente com álcool e drogas e colocou o alcoolismo como responsável para o que aconteceu.

“Marcelo responderá pelos atos que causou, seja criminalmente seja civilmente. Ele não falará neste momento, mas falará no decorrer do processo. Ele passa por uma situação de alcoolismo e uso de droga. A bebida foi a responsável pelo o que aconteceu, não que justifique. Ele vai pagar pelo o que fez, desde que a acusação não ultrapasse os limites”, afirmou o advogado.

Investigação

Responsável pela investigação do caso, o delegado Nasser Salmen afirmou que está iniciando os trabalhos e que é cedo para se falar em uma medida cautelar contra o suspeito. “Ele se apresentou com dois advogados e permaneceu em silêncio, para falar apenas em juízo. Estamos iniciando o trabalho e não tivemos tempo suficiente para uma melhor análise. É precoce falar em uma medida cautelar”, afirmou.

O delegado ainda disse que o suspeito teria também feito injúrias do lado de fora do posto de combustíveis. “Na parte externa eu não tenho o vídeo, onde ele também teria proferido injúrias ao caixa. O que temos é uma injúria racial e xenofobia contra o povo nordestino”, explicou.

Manifestação

Em apoio ao frentista, os trabalhadores de Curitiba realizaram uma manifestação, na manhã de segunda-feira (16), onde pediram a prisão do empresário que foi racista contra um trabalhador em um posto de combustíveis no bairro Boqueirão, na última sexta-feira (13). O presidente do Sindicato dos Empregados em Postos De Serviços de Combustíveis (Sinpospetro), Lairson Sena, afirmou ao Portal Nosso Dia que o ‘canalha’ que praticou o crime tem que estar na cadeia.

“Uma atitude asquerosa e nojenta e nós temos que mostrar toda nossa indignação e nossa insatisfação para a sociedade. O nosso sindicato vai atuar como assistente de acusação para colocar este canalha na cadeia. A gente vem sofrendo constantes assédios, mas o frentista é amigo da sociedade, amigo do motorista. É preciso respeito”, afirmou Sena ao Nosso Dia.

O caso

O empresário que aparece cometendo crimes de racismo e xenofobia em um posto de combustível, em Curitiba, não gostou de ser cobrado por um produto aberto. Ele xingou um jovem frentista de ‘macaco’ e ‘nordestino do inferno’. Segundo um colega da vítima, que filmou a cena, o homem ficou furioso quando o trabalhador pediu que ele pagasse um Cup Noodles (macarrão instantâneo), antes de abrir.

“Fazia uns 10 minutos que ele estava lá, xingando todo mundo. O vídeo que eu fiz é só uma parte. Isso tudo porque pedi pra ele se poderia pagar antes o Cup Noodles antes de abrir”, detalha o trabalhador.

Crime

O crime aconteceu durante um atendimento. Pelas imagens, o agressor entra na loja de conveniência já humilhando e cometendo crimes o frentista.

Eu sou empresário (…) Tenho empresa. Você ganha R$ 4 mil nessa b0st@ eu pago três vezes mais pra tá aqui te chamando de neguinho. Chama o gerente. Nordestino dos inferno. Neguinho, macaco. (…) Vou processar a p0rr@ desse posto. Veio do Nordeste para querer ser gente aqui em Curitiba? Volta pro Nordeste aproveitar aquele sol”, diz o suposto empresário.

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