
- Atualizado há 14 segundos
Após subir pela manhã diante do impasse nas negociações de paz no Oriente Médio no fim de semana, o dólar se firmou em baixa ao longo da tarde desta segunda-feira, 13, e furou o piso psicológico de R$ 5,00, alinhado ao comportamento da moeda norte-americana no exterior, na esteira declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de um acordo com o Irã.
Com mínima de R$ 4,9835, o dólar à vista encerrou em baixa de 0,29%, a R$ 4,9970 – menor valor de fechamento desde 27 de março de 2024 (R$ 4,9793). A moeda norte-americana acumula desvalorização de 3,51% em abril e de 8,96% no ano. O real, que apresentou o melhor desempenho entre as divisas mais líquidas na semana passada, exibiu nesta segunda ganhos inferiores ao de pares latino-americanos, como o peso chileno e o colombiano.
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Em conversa com jornalistas, Trump disse que Teerã entrou em contato com os EUA e se mostrou “muito interessado” em chegar a um entendimento. O republicano reiterou que um acordo é possível apenas se o Irã renunciar ao seu programa nuclear. A fala de Trump desfez o mau humor que reinou no início dos negócios, quando investidores assimilavam decisão dos EUA de bloquear os portos iranianos.
Para o head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, apesar das incertezas que ainda pairam sobre as negociações entre EUA e Irã, os preços dos ativos mundo afora parecem incorporar a percepção de que “o pior já ficou para trás” no conflito no Oriente Médio.
“Trump sentiu a pressão e teve que recuar após falar em destruir uma civilização com novos ataques ao Irã. Isso trouxe uma melhora do cenário externo que beneficiou o real. Com a entrevista do Trump hoje sobre negociações, o dólar furou os R$ 5,00 e, se não houver nenhuma notícia desfavorável hoje à noite, deve ir para a casa de R$ 4,97 amanhã”, diz Chiumento, nesta segunda-feira.
Segundo informações da CNN, o governo Trump discute internamente os detalhes para uma potencial segunda reunião presencial com autoridades iranianas antes que o cessar-fogo entre Washington e Teerã expire na próxima semana. Genebra e Islamabad estão novamente na mesa como opções potenciais para outra rodada.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY, que havia superado os 99,100 pontos pela manhã, girava ao redor de 98,380 pontos no fim do dia, em queda de cerca de 0,30%. Entre divisas emergentes, destaque para o florim húngaro, com ganhos de mais de 3% após a derrota do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, nas eleições parlamentares de domingo.
As cotações do petróleo fecharam em alta, mais abaixo da marca de US$ 100 o barril, ultrapassada pela manhã. O contrato do WTI para maio subiu 2,6%, a US$ 99,08. Já o Brent para junho – referência de preços para a Petrobras – avançou 4,36%, a US$ 99,36. Circularam informações de que pelo menos dois petroleiros reverteram seu percurso perto do Estreito de Ormuz, após o início do bloqueio dos EUA.
O estrategista-chefe da Avenue, Willian Castro Alves, ressalta que o Brasil parece “relativamente bem posicionado” no quadro atual, uma vez que o país “é exportador líquido relevante” de petróleo. A valorização da commodity tende a se traduzir em aumento do saldo em balanço comercial e, por tabela, em melhora das contas externas.
“Além disso, a bolsa brasileira está barata em termos relativos e temos taxa Selic próxima de 15%. Em um momento de realocação tática global, esses fatores fazem o dinheiro fluir para ativos domésticos”, afirma Castro Alves.
À tarde, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que a balança comercial acumula superávit de US$ 6,748 bilhões nas duas primeiras semanas de abril – um crescimento de 151,6% em relação a igual período do ano passado, com grande avanço em indústria extrativa, que abrange a conta petróleo. O saldo parcial em abril já é maior que o observado nos meses fechados de janeiro (US$ 3,732 bilhões), fevereiro (US$ 4,038 bilhões) e março (US$ 6,405 bilhões).
Em relatório, o Goldman Sachs afirma que, passando o momento inicial de alívio na percepção de risco, os termos de troca vão passar a ter um papel “cada vez mais relevante” no apetite por divisas emergentes. A perspectiva de estrategistas de commodities do banco é a de que as cotações do petróleo não voltem aos níveis vistos antes da eclosão da guerra.
“Em um cenário em que haja apetite ao risco e manutenção dos preços de energia em níveis elevados, o real e o peso mexicano devem ter um desempenho relativo superior”, afirma o banco.