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Traumas, sequelas graves e mortes violentas costumam ser as consequências dos acidentes de trânsito. São problemas que já causam bastante sofrimento às famílias e amigos das vítimas, mas a triste verdade é que eles não param por aí.
O eco de todo acidente de trânsito vai sempre reverberar no Sistema Único de Saúde (SUS), que acolhe e maioria das vítimas. O custo para amparar vítimas de trânsito em Curitiba, levando em conta apenas os hospitalares, atingiu R$ 37,1 milhões em 2025 na assistência de 9.229, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
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“São recursos que poderiam ser direcionados para ampliar a assistência à saúde, mas acabam sendo usados para socorrer vítimas do trânsito, uma história que infelizmente se repete todos os anos”, avalia a secretária de Saúde, Tatiane Filipak.
No ano passado, 209 pessoas morreram em acidentes, o que representa um crescimento de 29,8% em relação a 2024, com 161 óbitos.
Por isso, a secretária reforça a importância da campanha do Maio Amarelo, um chamado para toda a sociedade adotar prudência no trânsito, já que o impacto financeiro dos acidentes é muito maior quando é aplicada a metodologia de cálculo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e chega a impressionantes R$ 806 milhões, levando em conta o mesmo número de vítimas.
Isso porque, além dos custos da internação hospitalar, o Ipea também considera os valores gastos com procedimentos médicos, reabilitação, sequelas permanentes, perda de produtividade, afastamentos laborais, custos previdenciários e institucionais, além do impacto econômico do óbito.
Das 209 pessoas que perderam a vida no trânsito, 95 são motociclistas. Tatiane Filipak lembrou que o tema da campanha do Maio Amarelo deste ano “Enxergar o outro é salvar vidas”, é um alerta aos motoristas pela alta vulnerabilidade dos motociclistas, que hoje representam uma parcela crescente dos deslocamentos urbanos e das vítimas de sinistros.
“O ser humano leva nove meses para nascer, mas depois que vem ao mundo quer tudo para ontem. Nós precisamos desacelerar! O cuidado ao paciente não é somente no dia da ocorrência. Ali é só o começo, a demanda por cuidados continua. Às vezes ficam sequelas, o paciente vai para o nosso INSS, fica afastado. Tudo isso tem um custo alto, conforme está demonstrado nesses estudos”, alertou a secretária de Saúde.
O tratamento para recuperação das vítimas é o item que custa mais caro tanto no levantamento dos custos do SUS quanto no do Ipea.
No cálculo do sistema público, os ferimentos graves (sem risco à vida), com politrauma e necessidade frequente de UTI (com risco à vida), representou no ano passado o custo de R$ 26,7 milhões.
Este valor salta para R$ 680 milhões no estudo do Ipea, considerando os mesmos quesitos, por considerar também os impactos nos fatores socioeconômicos.
Um dos caminhos para reduzir essa triste estatística é investir em ações coordenadas envolvendo o setor público e a sociedade civil em prol da segurança viária em campanhas como a do Maio Amarelo.
É um problema que interessa a todos, afinal, de acordo com o Ipea, estima-se que os acidentes de trânsito custam cerca de R$ 50 bilhões anualmente à sociedade brasileira, impactando o SUS, a produtividade e gerando gastos materiais elevados.
*Com informações da SMCS