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Curitiba vê aumento de doença em que gato é o transmissor; conheça a esporotricose

Em 2023, até este momento, foram registrados 329 casos em humanos e 591 em gatos, quase o dobro que no ano passado
Gatos e humanos podem sofrer da doença. Fotos: Thatiana Bueno / SMCSeTI
Em 2023, até este momento, foram registrados 329 casos em humanos e 591 em gatos, quase o dobro que no ano passado

Luiz Henrique de Oliveira

19/10/23
às
8:01

- Atualizado há 3 anos

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A cidade de Curitiba vê um aumento de casos da esporotricose, doença causada por fungo e que tem uma alta transmissibilidade entre gatos, que acabam infectando os tutores. A Prefeitura confirmou ao Portal Nosso Dia um crescimento nas notificações em 2023, tanto em felinos como em humanos, e o Hospital de Clínicas também relatou uma procura maior de pacientes ano após ano, com recorde para o atual período.

A esporotricose é classificada como zoonose, causada pelos fungos Sporothrix brasiliensis e Sporothrix schenckii, encontrados em plantas, palhas e fragmentos de vegetais e fibras. Nos gatos, feridas em carne viva são os sinais da infecção, que tem uma transmissão muito alta entre os animais. A infecção nos seres humanos se dar por arranho, mordida ou até espirro de um felino infectado.

Em seres humanos, a esporotricose evolui na grande maioria dois casos de forma satisfatória, desde que com o devido tratamento nas feridas que surgem na pele. Já para felinos, ela pode ser mais grave e necessita de um tratamento que demanda de mais tempo, podendo evar até ao sacrifício deles. Falaremos mais sobre isso no decorrer da matéria.

Casos em Curitiba

Segundo dados da Prefeitura de Curitiba, em 2021 foram registrados 99 casos em humanos e 407 em gatos. Em 2022, foram registrados 176 casos em humanos e 490 em gatos. Em 2023, até este momento, foram registrados 329 casos em humanos e 591 em gatos. A Prefeitura afirmou, por meio de nota, que esse aumento de casos pode ter uma relação com a obrigatoriedade notificação da doença por parte da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), que aconteceu a partir de março de 2023.

Apesar dessa possibilidade, quem está na prática atendendo pacientes humanos com esporotricose aponta que a realidade é de fato de um aumento de casos. O médico infectologista do Hospital de Clínicas, Giovanni L. Breda, disse ao Portal Nosso Dia que desde 2010 há um crescimento de casos.

“Até 2010, a gente tinha os casos de quando uma pessoa se machucava com espinho e tinha pequenos traumas, quando inoculava na pele e começava a se reproduzir. Até 2010, eram esporádicos. Em 2011, começamos a ter casos nos gatos e transmissão do gato para o humano. De lá para cá, ano após ano a incidência só aumenta. A cada ano vem crescendo esse número de encaminhamento e de pacientes, não necessariamente com relação a notificação obrigatória, porque o paciente nos procura pelos sintomas”, afirmou.

Forma que a doença se manifesta em seres humanos (Foto: Imagem: Reprodução/Journal Plos/https://doi.org/10.1371/journal.pntd.0006434.g00)

O infectologista confirmou que para o animal a doença é mais grave. “No animal é uma doença usualmente mais grave e que pode levar a morte caso não seja tratada. Nos humanos, usualmente faz lesão de pele e vai acometendo gânglios linfáticos. Em situação extremas, pode ter acometimento corrente sanguínea e raramente pneumonia”, explicou.

Luta pelo gatinho

O Portal Nosso Dia conversou com uma cabeleireira, que não terá o nome revelado, que encontrou um gato ferido e miando na rua, o levando para casa. “Estava fazendo caminhada em um local aqui perto de casa, na região da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), quando escutei o gato miando. Quando cheguei pra ver, ele estava todo machucado e até pensei que algum cachorro tinha atacado. Levei para uma veterinária que cuida dos meus gatos e ela explicou que aquelas feridas eram características da doença”, contou.

A cabelereira, que não foi infectada, contou que o tratamento para o gato é caríssimo e, por isso, ela buscou apoio em grupo de protetores de animais e na Prefeitura de Curitiba. “A veterinária da zoonoses entrou em contato comigo dizendo que eles têm uma parceria com uma farmácia de manipulação e me forneceriam os remédios mas eu teria que cuidar dele em casa, porque eles não tratam. Fiquei com ele por três dias tentando encontrar um local, mas não consegui. Então, eles chamaram a ‘carrocinha’ para buscá-lo. Foram muito atenciosos”, destacou.

Como evitar?

Como os gatos são os maiores transmissores da doença, que embora não seja tão grave para humanos causa incômodo, a dica é evitar que o felino tenha contato com outros animais e, principalmente, tenha acesso a rua. Dados recentes do Censo Animal de Curitiba apontam que os felinos são os que mais têm vida semidomiciliada em proporção aos cães: 69 mil felinos dormem em casa, mas passam o dia perambulando pela vizinhança.

Castração dos felinos é ponto importante para evitar novas infecções – Catland / Crédito: Catland

Para o médico infectologista Giovanni L. Breda, evitar essa vida ‘mundana’ é o primeiro passo para controlar a doença. “Os gatos interagem muito entre si, brincam e brigam, mas não o que fica em casa. O que sai, entra em contato com animais doentes e a transmissão é muito alta. O cuidado deve ser também ao ajudar um gato que vê ferido na rua. Ás vezes a pessoa quer ajudar, mas corre o risco de contaminação”, disse.

Uma solução que o médico vê é a castração do felino. “Ideal é castrar o gato e evitar que ele vá para a rua. Para os seres humanos, em caso de aparecimento de feridas, procurar atendimento médico, porque é é necessária uma medicação antifúngica sistêmica”, concluiu.

Ainda sobre o tratamento, a Prefeitura de Curitiba informou que oferece tratamento com medicamentos, tanto para os animais, como para humanos. Para casos em humanos, a orientação é procurar a unidade básica de saúde mais próxima da residência.

“Para os animais, a orientação é caso o gato apresente lesões de pele que não curem em poucos dias, ou quadro respiratório (como espirros e aumento de volume nasal), o tutor deve procurar atendimento veterinário o mais breve possível. O Centro de Medicina Veterinária do Coletivo, da UFPR, em parceria com a SMS, realiza atendimento gratuito, com prioridade para tutores de baixa renda, com agendamento por meio dos telefones: (41) 3350-5804 ou (41) 99267-7406”, informou a Prefeitura de Curitiba por meio de nota.

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