
- Atualizado há 3 anos
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Curitiba e cidades da Região Metropolitana (RMC) iniciaram nesta segunda-feira (26) um debate para a criação de uma rede de atendimento integrada a pessoas em situação de rua. A intenção é atender estas pessoas de uma melhor forma e fazer com que o processo de reinserção na sociedade seja mais eficaz. A demanda se dá pelo fato dos municípios serem muito próximos e os atendidos pela Assistência Social andarem de um para o outro.
O evento reuniu prefeitos e secretários de Almirante Tamandaré, Araucária, Balsa Nova, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Cerro Azul, Contenda, Itaperuçu, Fazenda Rio Grande, Mandirituba, Pinhais, Piraquara, Quatro Barras, Rio Negro, Tijucas do Sul e São José dos Pinhais. Foi criado um grupo de trabalho que terá a missão de definir um protocolo intermunicipal de atendimento, que estabelecerá fluxos e fará o acompanhamento das ações, como destacou ao Portal Nosso Dia o vice-prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel.
“Foi uma ação importante e tivemos 16 cidades presentes, pensando em uma pauta fundamental e que se agravou com a pandemia. É uma iniciativa de Curitiba em chamar a Região Metropolitana para um trabalho integrado, porque não podemos mais pensar separadamente, mas como uma só, como é no turismo, no transporte coletivo e tem que ser na Assistência Social”, afirmou.

A prefeita de Pinhais, Rosa Maria, participou do encontro e destacou ao Portal Nosso Dia a importância em você atender de forma integrada as pessoas em situação de rua que transitam entre Curitiba e a RMC. “Um melhor atendimento só será possível se pensarmos de forma integrada. É uma inicativa importante para tratar o assunto de forma coletiva. Desafio nosso e precisamos fazer esse treinamento”, disse.
Para a presidente da Fundação de Ação Social (FAS), Maria Alice Erthal, o trabalho integrado se justifica com números, já que de janeito a junho deste ano a Central de Encaminhamento Social (CES) e a Casa da Acolhida e do Regresso (CAR) atenderam 7.983 pessoas em situação de rua, 26% (2.054) delas vindas da RMC.
“Precisamos fazer um trabalho integrado porque aumentou muito a população de moradores de rua, com um número expressivo vindos da Região Metropolitana de Curitiba. Podemos melhorar o encaminhamento das pessoas com um trabalho integrado e agindo da mesma forma .Ficamos felizes com a aceitação dos municípios e agora vamos trabalhar para aprimorar isso ainda mais”, destacou ao Portal Nosso Dia.
Ainda de acordo com a presidente da FAS, o perfil dos moradores de rua tem mudado e hoje o problema atinge todas as classes sociais. “O perfil mudou muito. Antes você tinha população mais pobre e hoje você tem todas as camadas sociais, porque a questão da droga está gravíssima. Hoje quando há um problema, a família já não aceita e as pessoas vão para as ruas. Motivos são variados. Ás vezes um menino coloca uma tatuagem e é colocado para fora de casa”, pontuou.
Durante o encontro, os gestores puderam conhecer as ações desenvolvidas pela FAS, que incluem abordagem social, acolhimento, trabalho social para preparação dos usuários e oferta de cursos gratuitos de qualificação profissional, além de encaminhamento para o mercado de trabalho. Atualmente, Curitiba possui 30 unidades de acolhimento, totalizando 1.561 vagas para pessoas em situação de rua.
Para garantir alimentação saudável para a população em situação de rua, Curitiba possui o programa Mesa Solidária que oferece refeições gratuitas e é realizado em parceria entre órgãos da Prefeitura, entidades religiosas e organizações da sociedade civil.
O atendimento médico também é uma prioridade para a capital, sendo realizado em toda a rede municipal e por meio do programa Consultório na Rua, que leva equipes multiprofissionais a praças da cidade para oferecer serviços de saúde, como atendimento médico, odontológico, psicológico, entre outros. O programa atende, em média, 500 pessoas por mês, incluindo gestantes.
Na área da defesa social, o trabalho é desenvolvido Departamento de Políticas Sobre Drogas, com projetos como o Ônibus Intervidas, que alerta para a dependência química, e o As Valentinas – Mulheres Resilientes, que estimula a autonomia e o empoderamento feminino entre as hóspedes que frequentam o hotel social.