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SEGURANÇA

Comandante da PMPR diz que presidente da Fúria pode ter tropeçado e batido a cabeça

Testemunhas e a Fúria Independente afirmam que Maurinho foi pisoteado após um avanço da cavalaria contra torcedores
Testemunhas e a Fúria Independente afirmam que Maurinho foi pisoteado após um avanço da cavalaria contra torcedores

Luiz Henrique de Oliveira

03/08/22
às
12:22

- Atualizado há 4 anos

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O comandante-geral da Polícia Militar (PMPR), o coronel Hudson Leôncio Teixeira, afirmou em entrevista coletiva, na manhã desta quarta-feira (3), que nenhum policial da Cavalaria viu o presidente da Fúria Independente, Mauro Machado Urbim, conhecido como Maurinho, sendo pisoteado por um dos animais no último sábado (30), na partida entre Paraná Clube e Cascavel. O relato, de acordo com o coronel, é de que Mauro pode ter caído e batido com a cabeça no chão, o que pode ter levado a morte dele.

Mauro morreu na última segunda-feira (Foto: Divulgação)

Testemunhas e a Fúria Independente afirmam que Maurinho foi pisoteado após um avanço da cavalaria contra torcedores. Ele morreu na noite de segunda-feira depois de ficar gravemente ferido no intervalo da partida válida pela Série D do Campeonato Brasileiro. Segundo o coronel Hudson, são algumas versões para o que pode ter acontecido e tudo será esclarecido.

“Temos algumas versões: a primeira que Mauro tropeçou e bateu a cabeça no chão. Outra versão é que ele caiu ao tirar uma bandeira de um local alto e a terceira de que houve um tumulto e a Cavalaria tentou dispersar. Não podemos fazer juízo de valor sobre o que aconteceu, por isso um inquérito policial militar vai apurar tudo”, afirmou.

Conforme Hudson, um Boletim de Ocorrência (BO) feito após o caso, por um familiar do presidente da Fúria, aponta que ele teria tropeçado. “O BO de um familiar diz que o Mauro recebeu a noticia de que ocorria alguma hostilidade do lado de fora e saiu para ver a situação com outros torcedores. Segundo relato, ele tropeçou e houve essa situação”, descreveu.

Coronel Hudson, comandante da PMPR (Foto: Divulgação)

Ainda de acordo com o comandante da PM, o inquérito policial militar está em andamento e nove policiais envolvidos foram ouvidos até o momento. “Não estamos deixando de verificar nada do que aconteceu. Quem viu, tem filmagem, que traga para a Polícia Militar (PM) e não estamos nos isentando de nada. Nenhum policial percebeu que Mauro foi pisoteado, porque os cavalos têm medo. Eles (policiais) continuam em serviço de uma forma normal até que o caso seja esclarecido”, pontuou.

A ocorrência

Na coletiva, o major Juliano Caciatori, comandante do Regimento de Polícia Montada “Cel. Dulcídio” (RPMon), também chamada de Cavalaria, explicou o que os policiais militares passaram sobre a ocorrência.

“O que os policiais me repassaram é que eles terminavam o lanche na entrada principal e retornavam aos cavalos. Quando eles retornavam, viram em média de 80 torcedores do Paraná Clube se aproximando dos adversários. Eles pediram para que parassem e houve aglomeração dos torcedores, sendo necessária uma ação de repelir”, descreveu o major.

De acordo com o comandante da Cavalaria, eram nove policiais montados e dois que estavam a pé dando apoio. “Eles afirmaram que, durante a ação, não viram o Mauro caído ou sendo pisoteado. Depois da ação, viram um torcedor do Paraná caído e esse é o relato que me foi passado”, ponderou.

Por fim, o major afirmou que a Cavalaria é treinada para não usar força. “Isso acontece em uma última situação. A Cavalaria forma a linha e foi feito isso, mas mais torcedores se aglomeraram. Torcedores correram, ele tropeçou e caiu com a cabeça no chão. Se o cavalo pisou na cabeça, isso vai ser verificado. O instinto do animal é para que isso não aconteça”, concluiu

Outra versão

Embora a PM afirme que os torcedores do Paraná teriam tentando invadir a área dos visitantes, tanto a Fúria Indepente quanto a torcida do Cascavel, La Furia Aurinegra, negam essa versão.

“Reafirmamos que NÃO houve tentativa de invasão, NÃO houve provocações ou ameaças antes, durante ou após a partida, nosso transporte chegou e saiu do estádio sem danos e nenhum integrante sofreu violência. Ainda, reafirmando nosso compromisso com a verdade, repudiamos toda e qualquer violência, dentro ou fora de campo, e lamentamos que um evento desse porte tenha sido tão mal organizado, sendo que ingressos foram vendidos aos paranistas no setor visitante”, diz a nota oficial da torcida organizada do Cascavel.

A Fúria, logo após o caso, ainda com Maurinho vivo, postou o seguinte sobre o que teria acontecido:

“Jogo decisivo. Classificação heroica. A noite, que era pra ser de alegria e comemoração, se transformou em pesadelo para todos nós. A data de ontem, infelizmente, também ficou marcada pela violência e despreparo da Polícia Militar. Sem qualquer necessidade, de forma truculenta e covarde, a Polícia Militar, com o seu Regimento de Polícia Montada, pisoteou o nosso presidente Mauro Machado Urbim. Em momento algum houve confusão. Ou seja, nada justifica a ação violenta e criminosa da Polícia Militar”, afirmou.

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