PUBLICIDADE
Tragédia /
BRASIL

Caso Voepass: familiares das vítimas apontam ‘cultura criminosa’ da empresa após relatório final

Presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283, Fátima Albuquerque afirmou que a pressão para que haja punições também tem finalidade preventiva
Avião da Voepass Foto: Passaredo
Presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283, Fátima Albuquerque afirmou que a pressão para que haja punições também tem finalidade preventiva

Estadão Conteúdo

24/07/26
às
8:51

- Atualizado há 15 segundos

Compartilhe:

Familiares das vítimas do acidente da Voepass avaliaram que o relatório final sobre a queda do avião que matou 62 pessoas, apresentado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), nesta quinta-feira, 23, mostrou um conjunto de fatores que apontam para uma “cultura criminosa” da empresa aérea e negligência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo as famílias, agora a luta será pela punição criminal dos responsáveis pelo acidente.

Para receber as principais informações do dia pelo WhatsApp entre no grupo do Portal Nosso Dia clicando aqui

O documento apresentado pelo órgão da Força Aérea Brasileira (FAB) afirmou que 19 fatores contribuíram para a queda do avião, entre eles, a manutenção da aeronave; planejamento do voo; condições meteorológicas; ineficiência na coordenação de cabine; avaliação inadequada por parte da tripulação; a atuação da Anac.

Em nota, a Anac afirmou que vai fazer a análise do relatório e disse que o trabalho do Cenipa não envolve atribuição de culpa. Já a Voepass alegou que, ao longo de três décadas, “sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação.”

Presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283, Fátima Albuquerque afirmou que a pressão para que haja punições também tem finalidade preventiva. Mãe da médica Arianne Risso, uma das 62 vítimas, ela diz que os problemas na manutenção das aeronaves e as sucessivas falhas no avião acidentado exigem punições. O grupo aguarda o encerramento do inquérito da Polícia Federal.

“Era uma cultura criminosa. A forma organizacional da empresa era criminosa. Precisamos ter o compromisso moral da sociedade de usar a nossa dor para que isso não aconteça mais. Nossa luta, mais do que buscar a Justiça, é preventiva. Temos a missão de também prevenir, de apontar, de chamar a atenção da sociedade para o caso da Anac”, disse;

Segundo o Cenipa, houve falhas expressas da Anac, que não teria aproveitado no processo de gestão de risco “condições latentes identificadas”. Conforme a investigação, houve falta de supervisão sobre práticas informais na empresa.

Em nota, a Voepass diz que a atuação da empresa sempre esteve pautada em padrões de segurança internacionais. Também negou problemas envolvendo o piloto e o copiloto. “A tripulação do voo 2283 era experiente, capacitada e devidamente certificada, acumulando mais de 5.000 horas de voo e com treinamentos técnicos e acompanhamentos de saúde rigorosamente atualizados, sem qualquer registro prévio ou fator que impedisse sua atuação.”

A jornalista Adriana Ibba, vice-presidente da Associação, afirmou que havia muita expectativa pela conclusão do relatório e que, a partir de agora, as famílias usarão o documento como insumo para o processo criminal. “Esse documento explanou falhas sistêmicas: a tripulação, a cultura organizacional da Voepass e também a falta de fiscalização da Anac. A gente sabe que o Cenipa aponta para reforçar a segurança e a nossa luta enquanto associação é para que a insegurança não seja normalizada”, disse.

Adriana perdeu a filha Liz, de três anos, no acidente. Ela conta que se emocionou durante a apresentação do relatório final para as famílias, principalmente, durante o momento de simulação do acidente.

“Para mim, aquele momento é sempre o mais desafiador e o que mais dói, como mãe, fico muito mexida de imaginar o que minha filha tão pequenininha passou dentro daquele avião”, lamentou.

O relatório da FAB indicou que a Voepass operava em uma cultura de “normalização de desvios”, sem relatar falhas e problemas técnicos, e burlando normas e protocolos da aviação civil.

“Tivemos uma cultura organizacional de normalização de desvios dentro do operador. Ela vem de uma cultura de informalidade em que pilotos e mecânicos não relatavam falhas para que a aeronave pudesse voar no dia seguinte”, afirmou o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, que conduziu as investigações.

TÁ SABENDO?

BRASIL

© 2024 Nosso dia - Portal de Noticias
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE