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Vírus Nipah chegou ao Brasil? O carnaval é motivo de preocupação?

Acompanhada de conteúdos desinformativos, a situação também ganhou atenção no Brasil, onde as buscas pela doença no Google dispararam
Vírus Nipah pode ser transmitido aos seres humanos por meio do contato com animais infectados, pela ingestão de alimentos contaminados ou diretamente de pessoa para pessoa. Foto: Freshidea/Adobe Stock
Acompanhada de conteúdos desinformativos, a situação também ganhou atenção no Brasil, onde as buscas pela doença no Google dispararam

Estadão Conteúdo

12/02/26
às
14:09

- Atualizado há 16 segundos

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O vírus Nipah, que já provocou surtos em países asiáticos, voltou a ganhar relevância no fim de janeiro após o registro de dois novos casos na Índia. Acompanhada de conteúdos desinformativos, a situação também ganhou atenção no Brasil, onde as buscas pela doença no Google dispararam. E, na véspera do carnaval, surge a dúvida: há motivo para preocupação?

Primeiro, o Ministério da Saúde reforça que o Brasil não tem nenhum caso de Nipah confirmado e não há motivo para preocupação A pasta afirma que o País mantém protocolos permanentes de vigilância a agentes patogênicos e que o risco de uma pandemia causada pelo vírus é considerado baixo.

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“Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram confirmados na Índia apenas dois casos, ambos entre trabalhadores de saúde, que tiveram contato com 198 pessoas já identificadas e testadas, todas com resultado negativo. O último caso foi registrado naquele país em 13 de janeiro, indicando que o evento já se aproxima do fim do período de acompanhamento”, cita o ministério, em nota.

De acordo com Benedito Fonseca, professor de moléstias infecciosas e tropicais da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o vírus tem um potencial epidêmico, mas raramente causará uma pandemia. “O surto de Nipah na Índia está se extinguindo e, portanto, acredito ser mínima a chance de termos infecção pelo Nipah no Brasil”, destaca.

“O que temos de fazer – e o Ministério da Saúde está atento a isso – é a detecção rápida de um caso possível, principalmente em uma pessoa que tenha vindo da Índia ou Bangladesh, pois esse vírus é também transmitido por secreções respiratórias”, adiciona.

Como o Nipah é transmitido?

O vírus Nipah pode ser transmitido aos seres humanos por meio do contato com animais infectados, pela ingestão de alimentos contaminados ou diretamente de pessoa para pessoa. Nesse último caso, a infecção ocorre principalmente em situações de contato próximo, com exposição a fluidos corporais ou gotículas respiratórias.

“Esse é o grande perigo desse vírus, pois uma pessoa com a doença pode transmiti-lo para outra pessoa que nunca teve a doença e, com isso, causar um surto epidêmico”, pontua Fonseca.

Os hospedeiros naturais do vírus são morcegos da família Pteropodidae (que não existem no Brasil), embora outros animais, como porcos e cavalos, também possam ser infectados. A transmissão para humanos pode ocorrer pelo contato com esses animais ou com seus fluidos. Outro risco importante está no consumo de frutas e sucos contaminados com urina ou saliva de morcegos infectados, já que essas espécies se alimentam de frutas.

Sintomas

Segundo o professor, o período entre a infecção e o início dos sintomas varia de 4 a 14 dias. “Os sintomas podem variar de casos assintomáticos ou oligossintomáticos até casos muito graves com uma taxa de letalidade que pode chegar a 75%.”

“Os sintomas iniciais são febre, dores no corpo, mal-estar geral, cefaleia e vômitos. Essas manifestações iniciais podem evoluir para uma doença respiratória muito grave e para o acometimento do sistema nervoso central, causando um quadro clínico denominado encefalite; esses casos são aqueles com a maior taxa de letalidade”, acrescenta.

Tratamento

Não há um tratamento específico comprovadamente eficaz, de acordo com Fonseca.

Embora um antiviral, o remdesivir, esteja sendo utilizado de forma compassiva em alguns casos, a conduta recomendada ainda se baseia no chamado tratamento de suporte, voltado ao controle dos sintomas e das complicações. “Além disso, até o momento não existe uma vacina que proteja contra a infecção por esse vírus.”

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