
- Atualizado há 6 horas
Engana-se quem ainda pensa que a história de Curitiba começou no entorno do espaço hoje conhecido por Praça Tiradentes, no Centro. Diferente do que a maioria dos escolares de antigamente aprendeu, ela teve início cerca de 40 anos antes da fundação, por volta de 1650, e quase 10 quilômetros longe dali, no Bairro Alto.
É lá que funcionam o atual Parque e Centro Cultural da Vilinha, situados às margens do mesmo Rio Atuba onde os primeiros colonizadores se fixaram em busca de ouro. Vilinha é o nome que remete à época em que o local era isolado e contava poucos moradores. “É um marco de Curitiba, o lugar que pode ser considerado o embrião da nossa cidade e oferece muita coisa boa para quem mora e empreende no local”, resume o prefeito Eduardo Pimentel.
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A chegada ao Centro é um segundo momento da história da cidade, quando os colonizadores continuaram avançando sobre a Vila de Nossa Senhora da Luz. Consta que eles seguiam orientações da santa, cuja imagem amanhecia virada em direção ao hoje chamado Marco Zero, e também do representante dos tinguis que habitavam a região, o Cacique Tindiquera.
Administrado pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC), no coração do Parque Histórico da Vilinha, o centro cultural foi erguido no início da década de 1970 para preservar a memória histórica da cidade que nasceu como vila de mineradores.
Hoje, ali, a comunidade encontra atividades culturais, quadras e outros equipamentos esportivos, além da pista de corrida e caminhada coberta pelo encontro das copas das árvores. “É um espaço com potencial para se tornar um atrativo turístico da cidade”, opina a coordenadora do centro, Marinil Lucena.

O parque e o bairro que cresceu em torno dele agradam a pessoas como o professor de Educação Física aposentado José Eros Pereira, de 72 anos. Há 20 anos ele saiu do Cristo Rei e todos os dias caminha até lá com os cães Ravi e Wood para se exercitarem juntos ou participarem de atividades comunitárias. É o caso dos encontros do Clube Amigos da Vilinha ou das festas de aniversário coletivas dos pets, além de celebrações natalinas. “É muito bom de morar e dá para perceber que o lugar está recebendo investimentos”, conta.
Desde que se tornou Parque Histórico, a Vilinha assistiu ao primeiro bairro informal de Curitiba crescer e mudar de perfil. Atualmente, espalham-se sobre os seus 720 hectares cerca de 43 mil habitantes. Perto de 80% deles moram em casas e têm à disposição 22 estabelecimentos de ensino e 19 de saúde, entre outros equipamentos de uso coletivo.
Para o líder comunitário e gestor público Genivaldo José dos Santos, que se instalou no Bairro Alto há 42 anos, a implantação da Linha Verde acelerou o desenvolvimento do Bairro Alto. “Antes, por causa do – por assim dizer – bloqueio determinado pela estrada, aqui era como um bairro-dormitório. Com as travessias, trincheiras e semáforos, além das obras de controle das cheias com a dragagem dos rios Atuba e Bacacheri, veio muita gente, empresas e empregos. Quase não temos mais terrenos vagos e está subindo o primeiro prédio mais alto, com sete andares”, conta, referindo-se ao empreendimento imobiliário da Rua Paulo Friebe.
De povoação acanhada a núcleo populacional estável, o Bairro Alto ainda abriga moradores que desceram dos ônibus às escuras, na volta do trabalho, para chegar em casa e acender o lampião a querosene. É o que conta o mecânico Irineu Santim Bassani, nascido no Bairro Alto há 74 anos e morador do lugar desde sempre.
A Oficina do Irineu, como todos conhecem o estabelecimento, foi aberta há 40 anos, depois que seu dono trocou os empregos com carteira assinada pelo empreendimento próprio. “A gente viu muita coisa mudar e pra melhor. Chegou a luz e, muito tempo depois, os bancos. E esses, ainda usados pelos mais velhos, estão indo embora por causa do progresso da tecnologia”, compara o mecânico, que em 1970 ainda não pôde ver de casa o Brasil conquistar o tricampeonato mundial de futebol.
Quem também não tem o que reclamar do bairro é a comerciante Zelinda Brito e a filha caçula, Stella Maris. As duas tocam a Ótica Zelinda, há 22 anos na movimentada Rua José Veríssimo. A idade da loja é a mesma de Stella, que com a mãe trocou Pinhais pela residência próxima ao terminal de ônibus do bairro. “Aqui é muito bom. Tranquilo, limpo e favorável para o nosso negócio”, ou Stella.
Empolgado com a história, o desenhista Nilson Müller criou uma série de quadrinhos inéditos que contam a história da fundação da cidade e estão expostos, em caráter permanente, no centro cultural: Zequinha na Vilinha – Uma Aventura pela Fundação de Curitiba.
Os trabalhos têm como narrador o palhaço Zequinha – o mesmo das figurinhas que antigamente acompanhavam as balas de mesmo nome e agora podem ser colecionadas no álbum do personagem. Por meio do traço de Müller, que morreu no último dia 5 de janeiro, aos 84 anos, Zequinha desafia o tempo e interage com figuras históricas como o Cacique Tindiquera.
Para oferecer mais segurança a quem só pode fazer suas caminhadas à noite pela pista da Vilinha, a Prefeitura está teminando de instalar 30 luminárias. Dezesseis estão sendo colocadas nos superpostes já existentes e em outros 14 novos postes menores. Os dois republicanos que iluminam a ponte de acesso ao local também serão modernizados.
Outra novidade é a instalação da ecobarreira para contenção e retirada do lixo que, contrariando os esforços do time de educação ambiental da Prefeitura, ainda se pode ver boiando no leito do Rio Atuba. A ação é uma parceria entre o Rotary Club e o Sicredi, sem custos para a Prefeitura.