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A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) criticou publicamente a política de internação involuntária adotada pela Prefeitura de Curitiba para pessoas em situação de rua. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a parlamentar classificou a medida como parte de uma política “higienista” e afirmou que a ação viola direitos humanos, especialmente de mulheres negras em situação de vulnerabilidade.
Segundo Dartora, recentes iniciativas do município expõem e estigmatizam pessoas em situação de rua. A deputada citou como exemplo uma propaganda institucional que, segundo ela, utilizou de forma irresponsável a imagem de uma mulher negra. “Esse ponto é muito triste, porque a política de higienização que a gente tem visto no Paraná expõe, estigmatiza e viola direitos humanos das pessoas em situação de rua”, afirmou.
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Assista ao vídeo com a fala da deputada:
A parlamentar destacou que mulheres estão entre os grupos mais vulneráveis e defendeu que o foco das políticas públicas seja o acolhimento. “O que elas precisam é de acolhimento, moradia, acesso à saúde e à assistência social”, disse. Dartora também questionou a efetividade da internação sem políticas complementares. “É preciso perguntar: após a internação, quais são as medidas de cuidados contínuos? Quais políticas garantem reinserção social e dignidade?”, completou, reafirmando o compromisso com a dignidade humana, a democracia e o combate ao racismo.
Apesar das críticas, pesquisa recente indica amplo apoio popular à medida na capital. Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas aponta que 86% dos moradores de Curitiba são favoráveis à internação involuntária de dependentes químicos em situação de rua quando há risco grave à própria vida ou à de terceiros. A sondagem foi realizada entre os dias 22 e 25 de janeiro de 2026. Outros 3,1% disseram que a decisão depende da situação, 8,4% se posicionaram contra e 2,5% não souberam ou preferiram não opinar.
O tema ganhou destaque após a Prefeitura de Curitiba realizar, em 9 de janeiro, a primeira internação involuntária de uma pessoa em situação de rua. Segundo a administração municipal, tratava-se de uma mulher com quadro grave de desorientação, que circulava entre veículos na Avenida Comendador Franco. De acordo com a equipe responsável, ela estava intoxicada pelo uso de drogas ilícitas e colocava em risco a própria vida e a segurança de terceiros.