
- Atualizado há 13 segundos
Um vídeo divulgado pelo Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) mostra estudantes de um colégio estadual cívico-militar, no bairro Água Verde, em Curitiba, sendo orientados a marchar enquanto entoam um canto de guerra associado ao Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) da Polícia Militar. Segundo o sindicato, a música, entre outras coisas, faz apologia à violência. A letra tem frases como: “Homem de preto, qual é sua missão? Entrar na favela e deixar corpo no chão.” (Assista ao vídeo mais abaixo)
No registro, os adolescentes repetem o refrão sob a supervisão de um militar, um soldado que atua como monitor do Colégio João Turin, que atende cerca de 750 alunos. O sindicato é contrário ao programa de colégios cívico-militares implementado no Estado em 2020.
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Assista ao vídeo:
A presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto, afirmou que casos semelhantes têm sido relatados desde o início do modelo. “Absurdos como esse do vídeo não são casos isolados. Recebemos denúncias parecidas, e até piores, em escolas que adotaram o sistema cívico-militar. É chocante ver a escola pública sendo usada para promover uma doutrinação ideológica extremista, que prega o ódio, a violência, o massacre e o extermínio de comunidades periféricas”, declarou.
A Secretaria Estadual de Educação (Seed-PR) ainda não se manifestou sobre o vídeo.
Programa
O Paraná tem mais de 2 mil escolas com cerca de 1 milhão de estudantes. Ao todo, são 345 colégios cívico-militares que atendem quase 200 mil alunos. O programa integra práticas de gestão civil com a atuação de militares da reserva (inativos) em funções administrativas e de apoio à rotina escolar.
Diferentemente das escolas regulares, em que a direção é eleita pela comunidade escolar, os diretores dos colégios cívico-militares são escolhidos pela Secretaria de Educação. O modelo cívico-militar é escolhido por meio de consulta pública pela própria comunidade escolar.