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Vereador questiona internação de pessoas em situação de rua de SC em clínica de Piraquara

O vereador afirmou que tomou conhecimento da situação após relatos de pessoas que procuravam informações sobre pacientes internados no município
Clínica de Piraquara está recebendo pessoas em situação de rua com dependência química. Foto: Ilustração/Carlos Costa/CMC
O vereador afirmou que tomou conhecimento da situação após relatos de pessoas que procuravam informações sobre pacientes internados no município

Luiz Henrique de Oliveira e Geovane Barreiro

21/01/26
às
10:32

- Atualizado há 1 minuto

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O vereador de Piraquara Professor Gilmar levantou questionamentos sobre a internação de pessoas em situação de rua vindas de outros municípios do estado de Santa Catarina e encaminhadas para tratamento em uma clínica da Região Metropolitana de Curitiba. Os internos são das cidades de Florianópolis e Joinville, e a clínica de Piraquara é especializada em internação involuntária para tratamento de saúde mental e dependência química. O parlamentar questiona o futuro dessas pessoas após receberem alta, se ficam em Piraquara ou se são levados de volta até a cidade natal.

Segundo o parlamentar, a internação envolve um contrato firmado pela Prefeitura de Florianópolis, por meio do Fundo Municipal de Saúde, com a Clínica Cadmo, mesma situação que aconteceu com Joinville. O acordo prevê a internação de homens e mulheres adultos com transtornos psiquiátricos, problemas de saúde mental ou dependência química, com transporte especializado e acompanhamento de equipe de enfermagem. O valor do contrato de Florianópolis citado pelo vereador é de aproximadamente R$ 2,7 milhões. Embora o contrato não especifique a atuação em pessoas em situação de rua, o documento deixa clara as possibilidades compulsórias, o que afeta boa parte de quem vive longe de uma estrutura familiar.

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“Minha preocupação é se esse acompanhamento está sendo realmente realizado e, principalmente, o que acontece após o tratamento. Essas pessoas retornam para suas cidades de origem ou permanecem em Piraquara?”, questionou Professor Gilmar. O vereador afirmou que tomou conhecimento da situação após relatos de pessoas que procuravam informações sobre pacientes internados no município.

De acordo com as informações apuradas pelo Portal Nosso Dia, os programas das prefeituras que têm contrato com a clínica de Piraquara preveem internação, tratamento, reinserção familiar e retorno ao mercado de trabalho.

Joinville

O parlamentar também destacou que, além de Florianópolis, a Prefeitura de Joinville teria firmado contrato semelhante com a mesma clínica, o que resultaria no envio de pacientes daquele município para Piraquara. “De ontem para hoje, Joinville também formalizou contrato e essas pessoas estão vindo para cá. Isso gera uma preocupação social muito grande”, afirmou.

De acordo com a Câmara de Joinville, a clínica de Piraquara recebeu 11 pacientes do município, dos quais quatro estão em situação de rua. Não se sabe quais desses internos já receberam alta e de que maneira aconteceu com aqueles que não possuem familiares ou destino certo na cidade natal.

Esse é justamente o questionamento levantado pelo vereador. “Não podemos permitir que, após o tratamento, essas pessoas acabem permanecendo na nossa cidade, sem o devido acompanhamento e sem retorno às famílias ou aos municípios de origem. Piraquara não é a cidade dessas pessoas”, reforçou o vereador.

Fiscalização

Professor Gilmar mencionou ainda que já há informações, inclusive em redes sociais, sobre visitas de inspeção à clínica, o que reforça a necessidade de transparência e fiscalização. Ele defende que os contratos e fluxos de atendimento sejam esclarecidos, para garantir que o tratamento respeite os direitos dos pacientes e não gere impactos sociais adicionais ao município.

O vereador afirmou que pretende buscar mais informações junto aos órgãos responsáveis e cobrar esclarecimentos formais sobre o acompanhamento, o período de internação e, principalmente, o destino dos pacientes após o tratamento.

Retorno

O Portal Nosso Dia entrou em contato com a clínica especializada em Piraquara, que encaminhou o seguinte retorno, afirmando que os pacientes não ficam na cidade metropolitana:

“A CADMO, unidade da ViV Saúde Mental e Emocional em Piraquara (PR), esclarece que mantém contrato vigente com a Prefeitura de Florianópolis (SC), decorrente de licitação concluída em setembro de 2025, para oferta de leitos destinados ao tratamento psiquiátrico e de dependência química. Atualmente, a unidade atende 11 pacientes encaminhados pelo município.

A unidade reitera que sua atuação é estritamente assistencial, seguindo os mesmos protocolos terapêuticos aplicados aos demais pacientes. Reforça ainda que o retorno ao município de origem após a alta é integralmente coordenado pela Prefeitura de Florianópolis, conforme contrato, não havendo permanência dos pacientes em Piraquara após a conclusão do tratamento.”

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