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‘Vamos morar na Lua antes de ir a Marte’, diz engenheiro da Nasa

O encontro reuniu o engenheiro da Nasa Ivair Gontijo e o astrofísico Marcelo Gleiser em uma conversa que quase levou o público até as crateras de Marte nesta quarta-feira, 13
(Foto: Reprodução)
O encontro reuniu o engenheiro da Nasa Ivair Gontijo e o astrofísico Marcelo Gleiser em uma conversa que quase levou o público até as crateras de Marte nesta quarta-feira, 13

Estadão Conteúdo

14/05/26
às
8:59

- Atualizado há 34 segundos

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A discussão sobre o uso da tecnologia, ciência e empreendedorismo como pilares para a exploração espacial marcou o painel De Zero a Marte: Os Bastidores da Nova Corrida Espacial, realizado no SPIW Talks, na FAAP, no São Paulo Innovation Week.

O encontro reuniu o engenheiro da Nasa Ivair Gontijo e o astrofísico Marcelo Gleiser em uma conversa que quase levou o público até as crateras de Marte nesta quarta-feira, 13.

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Integrante do Jet Propulsion Laboratory (JPL), principal centro da Nasa para missões robóticas espaciais, Gontijo revelou a dimensão dos projetos enviados ao planeta vermelho. “O projeto de um rover leva dez anos desde a aprovação até o pouso em Marte”, afirmou.

“A ideia é reaprender sobre missões tripuladas e corrigir problemas antes de uma missão para Marte. Vamos passar longos períodos na Lua, morar na Lua antes de ir a Marte”, explicou. Segundo ele, apenas depois dessa etapa será possível pensar em bases permanentes no planeta vermelho.

O engenheiro mineiro participou diretamente de missões históricas, como os veículos Curiosity e Perseverance. A plateia acompanhou, em vídeos exibidos pelo engenheiro, imagens raras da descida do Perseverance em Marte, incluindo registros captados pelo próprio foguete durante a aterrissagem.

Gontijo lembrou da tensão do momento em que as primeiras imagens chegaram à Terra, em plena pandemia de covid-19, em 2020. “Nós sabíamos que tinha dado certo, mas ainda não tínhamos visto nada”, contou. “Eu era o coordenador quando recebemos as primeiras imagens de Marte.”

O painel mostrou como a exploração espacial produz impactos científicos diretos sobre a vida na Terra. Gontijo relacionou as pesquisas espaciais a avanços em áreas como biologia, física e clima. “Todos temos ligação profunda com o universo”, afirmou. “A cor vermelha do sangue vem do ferro sintetizado em estrelas “

Ao lado de Gleiser, vencedor do Prêmio Templeton e professor do Dartmouth College e um dos curadores do SPIW, o debate ganhou contornos filosóficos e científicos. O astrofísico questionou sobre os riscos de contaminação nas futuras amostras marcianas que a Nasa pretende trazer para a Terra, um dos maiores desafios da missão Mars Sample Return.

Gontijo explicou que o processo exige protocolos rigorosos de esterilização para evitar interferências de bactérias terrestres

O engenheiro também detalhou a estratégia da Nasa para futuras missões tripuladas. Antes de Marte, a agência pretende consolidar uma presença humana duradoura na Lua por meio do programa Artemis.

Gontijo projetou que, se os avanços continuarem nas próximas décadas e séculos, a humanidade poderá ocupar até luas geladas de Júpiter e Saturno. “Assim seríamos uma espécie multiplanetária”, afirmou.

São Paulo Innovation Week

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta,15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

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