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Torcedora do Athletico, Gleisi diz que contratação de Cuca é ‘estarrecedora’

A postagem foi realizada na manhã desta segunda-feira (4), antes da confirmação oficial do clube
(Fotos: Divulgação)
A postagem foi realizada na manhã desta segunda-feira (4), antes da confirmação oficial do clube

Redação Nosso Dia com Estadão Conteúdo

04/03/24
às
13:20

- Atualizado há 2 anos

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Torcedora assumida do Athletico Paranaense, a deputada federal e presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffman, lamentou na rede social X (antigo Twitter) a contratação do treinador Cuca pelo Furacão. A postagem foi realizada na manhã desta segunda-feira (4), antes da confirmação oficial do clube.

É estarrecedor, na semana da mulher, saber que o Athletico Paranaense irá contratar Cuca, o homem que estuprou uma criança de 13 anos e que nunca pagou por isso. A condenação não difere em nada dos casos de Robinho e Daniel Alves, o crime é igualmente grave e chocante: a justiça da Suíça confirmou que havia sêmen do agressor no corpo da vítima!“, disse Gleisi.

Em seguida, a deputada afirmou que Cuca jamais deveria ocupar um cargo de liderança. “Uma pessoa como Cuca deve pagar por seu crime e jamais ocupar cargos de liderança, como o de treinador de futebol, que serve de inspiração e referência para tantas crianças. Teremos um longo caminho pela frente até que os homens também estejam comprometidos com o enfrentamento à violência contra a mulher“, concluiu.

Apesar das palavras da deputada e do protesto de parte dos torcedores, a maioria dos athleticanos apoiam a contratação de Cuca, como mostrou enquete do site Globo Esportes, onde 85% dos internautas se disseram a favor da escolha da diretoria do Furacão.

CUCA É INOCENTE?

A defesa de Cuca solicitou a revisão do caso argumentando que o treinador não contou com um representante legal na época e foi julgado à revelia. O pedido de um novo julgamento foi aceito, mas o Ministério Público alegou não ser possível realizá-lo pelo fato de o crime ter prescrito. O órgão, então, sugeriu a anulação da pena e o fim do processo, o que acabou sendo acatado pela Justiça. Foi determinado, ainda, uma indenização de 13 mil francos suíços (R$ 75 mil) – atualizado para 9,5 mil francos suíços (R$ 54,8 mil) após cumprimento de despesas.

Afinal, Cuca é inocente? Apesar da extinção da sentença, não se trata de uma mudança de veredicto. Isso porque o mérito do caso não foi reavaliado pela Justiça da Suíça. Assim, é errado afirmar que Cuca foi inocentado. Com a anulação de sentença e prescrição do processo, não poderá haver novo julgamento. A vítima morreu em 2002, aos 28 anos. Um dos herdeiros foi consultado, mas não quis ser parte do processo. A presidente do tribunal, então, decidiu pela anulação do caso. Em tese, cabe recurso, mas nenhuma das partes está disposta a recorrer.

ENTENDA O ‘ESCÂNDALO DE BERNA”

Alex Stival, o Cuca, Henrique Arlindo Etges, Eduardo Hamester e Fernando Castoldi, então atletas do Grêmio, foram detidos sob a alegação de terem tido relações sexuais com uma garota de 13 anos sem consentimento. O caso ocorreu no hotel Metrópole, em Berna, na Suíça, em 1987, ano em que o time gaúcho fez uma excursão pela Europa. De acordo com a investigação da polícia local, a garota pediu autógrafos e camisetas para os jogadores, que, então, a levaram para dentro do quarto e abusaram dela. Ela registrou queixa na polícia horas depois sob a alegação de ter sofrido violência sexual

Segundo publicou o Estadão em 7 de agosto de 1987, a versão do Grêmio, naquela época, era de que a jovem invadiu o quarto em que estava os atletas para pedir flâmulas, camisetas e autógrafos e depois saiu. No mesmo dia, o Estadão reportou que Eduardo e Henrique haviam admitido ter tido relação sexual com a garota, mas de forma consensual. Fernando e Cuca negavam qualquer participação. O advogado da vítima, porém, contestava a versão e afirmava que a menina reconheceu, sim, o então jogador do Grêmio como um dos que participaram do ato.

Tanto Cuca quanto os outros três colegas do Grêmio permaneceram em cárcere por 30 dias. Depois desse período, retornaram para o Brasil após darem depoimento por mais de uma vez e ser encerrada a fase de instrução do processo. Cuca, Henrique e Eduardo foram condenados em 1989, portanto dois anos depois do episódio. A Justiça suíça condenou os brasileiros a 15 meses de prisão e a pagamento de US$ 8 mil. Mas eles nunca cumpriram a pena estipulada para o crime, que prescreveu em 2004. Fernando foi condenado a três meses de prisão e ao pagamento de US$ 4 mil por ser considerado cúmplice.

Cuca foi enquadrado no antigo artigo 187 do Código Penal da Suíça, que prevê prisão de até cinco anos por envolvimento em um ato sexual com uma criança menor de 16 anos. A Justiça entendeu que não houve violência por parte de Cuca e dos outros jogadores, mas sim “coerção” e “fornicação”, segundo afirmou ao Estadão uma porta-voz do Tribunal Superior de Berna, responsável por dar a sentença há 34 anos.

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